ONU retira mais de 140 refugiados da Líbia para a Itália

Em meio a confrontos violentos em Trípoli, na Líbia, 149 refugiados e solicitantes de refúgio ​​foram levados na semana passada (30) para Roma, na Itália, pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A operação beneficiou pessoas consideradas em situação de vulnerabilidade — muitas delas precisam de tratamento médico e sofrem de desnutrição. Os realocados são da Eritreia, Somália, Sudão e Etiópia.

Djamila e seus dois filhos, Mohamed, de três anos, e Nousra, de oito meses, foram transferidos de Trípoli para Roma, após passarem quase dois anos em detenção na Líbia. Foto: ACNUR/Valerio Muscella

Djamila e seus dois filhos, Mohamed, de três anos, e Nousra, de oito meses, foram transferidos de Trípoli para Roma, após passarem quase dois anos em detenção na Líbia. Foto: ACNUR/Valerio Muscella

Em meio a confrontos violentos em Trípoli, na Líbia, 149 refugiados e solicitantes de refúgio ​​foram levados na semana passada (30) para Roma, na Itália, pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A operação beneficiou pessoas consideradas em situação de vulnerabilidade — muitas delas precisam de tratamento médico e sofrem de desnutrição. Os realocados são da Eritreia, Somália, Sudão e Etiópia.

Entre o grupo transferido para a capital italiana, estão 65 crianças. Treze delas têm menos de um ano de idade. Um dos bebês nasceu há apenas dois meses. Os resgatados viveram meses em terríveis condições dentro de centros de detenção em Trípoli. A evacuação foi realizada em colaboração com as autoridades líbias e italianas.

“São necessários mais resgates humanitários”, defendeu Jean-Paul Cavalieri, chefe da missão do ACNUR na Líbia. “Eles são uma tábua de salvação para os refugiados, cuja única outra rota de fuga é colocar as suas vidas nas mãos de contrabandistas e traficantes inescrupulosos no mar Mediterrâneo.”

No início da semana passada, 62 refugiados da Síria, do Sudão e da Somália também foram resgatados de Trípoli e levados para o Centro de Trânsito de Emergência do ACNUR em Timisoara, na Romênia. Os deslocados receberam alimentos, roupas e tratamento médico antes de viajarem para a Noruega. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) apoiou o transporte.

Apesar desses desdobramentos positivos, o ACNUR afirma que o número de refugiados e solicitantes de refúgio detidos na Líbia está aumentando num ritmo mais rápido do que o de evacuados. Mais de mil refugiados e migrantes foram retirados ou reassentados da Líbia pelo ACNUR em 2019, ao passo que, apenas em maio, mais de 1,2 mil foram devolvidos à Líbia pela Guarda Costeira do país africano, após terem sido resgatados ou interceptados enquanto tentavam fugir de barco.

Como os combates em Trípoli não mostram sinal de trégua, crescem os riscos de os refugiados em centros de detenção serem afetados pelos confrontos. O ACNUR reitera seu apelo aos países para que apresentem urgentemente novas opções de corredores humanitários e evacuações, a fim de garantir a segurança dos refugiados privados de liberdade na Líbia.

Desde o início de abril, mais de 83 mil líbios foram forçados a fugir de suas casas em Trípoli. Os governos municipais locais e as comunidades de acolhimento desempenharam um papel fundamental na prestação de assistência aos deslocados. Muitos deles estão abrigados dentro de escolas e outros edifícios públicos. Outros estão morando com amigos e familiares em cidades vizinhas.

O ACNUR forneceu assistência emergencial para mais de 9 mil pessoas deslocadas. O organismo também doou suprimentos médicos e ambulâncias para hospitais, por meio do Ministério da Saúde e do Crescente Vermelho Líbio.

Quase 600 pessoas perderam a vida nos recentes confrontos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na semana passada, dois motoristas de ambulância morreram depois de serem atingidos por bombardeios. O ACNUR reitera que atacar civis e profissionais humanitários constitui uma violação do direito internacional. A instituição pede ainda que os autores de tais ataques sejam responsabilizados.