ONU ressalta papel-chave das comunidades para acabar com a epidemia de Aids no mundo

Em mensagem oficial para marcar o Dia Mundial contra a Aids (observado anualmente em 1 de dezembro), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres afirma que, para aumentar a cobertura do tratamento a todas e todos e acabar com novos casos até 2030, as comunidades de base desempenham um papel fundamental.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), o trabalho de conscientização e acesso a serviços relacionados ao HIV realizados pelas pessoas que vivem e lidam com a Aids é essencial para combater o estigma, assegurar direitos e frear os avanços da doença globalmente.

No Quênia, as mortes relacionadas à AIDS caíram mais de 50% desde 2010 e as novas infecções por HIV caíram 30%. Foto: UNAIDS.

No Quênia, as mortes relacionadas à AIDS caíram mais de 50% desde 2010 e as novas infecções por HIV caíram 30%. Foto: UNAIDS.

Instituído em 1988 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma data para promover a conscientização de todas e todos acerca da epidemia global, o Dia Mundial contra a Aids é celebrado pelas Nações Unidas anualmente em 1º de dezembro com propostas de ação para que o mundo alcance o fim da epidemia até 2030, como previsto pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O tema deste ano para o dia é Comunidades fazem a diferença, uma vez que, segundo o último relatório sobre HIV lançado às vésperas do Dia Mundial pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), quando as pessoas têm o poder de escolher, saber, prosperar, demandar e trabalhar juntas, vidas são salvas, injustiças são evitadas e a dignidade é restaurada.

Em sua mensagem oficial para marcar do Dia Mundial contra Aids de 2019, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirma que “há um recorde de 38 milhões de pessoas vivendo com HIV, e os recursos destinados à resposta à epidemia diminuíram em 1 bilhão de dólares no ano de 2018”.

Segundo Guterres, “mais do que nunca, nós precisamos atrelar o papel das comunidades de base comunitária que atuam em prol de sua gente, prestam serviços relacionados ao HIV, defendem os direitos humanos e oferecem apoio”.

Números do mundo

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Em seu discurso oficial no lançamento do relatório do UNAIDS “Poder para as pessoas”, no Quênia, a diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, lembrou que a África ainda é o continente mais afetado pela epidemia de HIV. Apesar disso, muitos países do continente estão liderando o caminho para acabar com a epidemia de Aids.

“No Quênia, as mortes relacionadas à Aids caíram mais de 50% desde 2010 e as novas infecções por HIV caíram 30%. Essa é uma grande conquista”, afirmou.

Segundo dados do relatório, novas infecções por HIV diminuíram 28% entre 2010 e 2018 na África Oriental e Austral. Apesar dos avanços no continente africano, outras regiões assistem ao aumento do número de casos.

O número anual de novas infecções por HIV aumentou 29% na Europa do Leste e na Ásia Central, 10% no Oriente Médio e Norte da África e 7% na América Latina.

Combate às desigualdades pelo fim da epidemia

Dados do UNAIDS apontam que o HIV continua sendo a principal causa de morte para mulheres de 15 a 49 anos em todo o mundo. A cada semana, 6.000 mulheres jovens entre 15 e 24 anos são infectadas pelo HIV.

“São números que envergonham a todos”, comentou Byanyima. “Se quisermos cumprir nossas promessas, devemos acabar com os desequilíbrios de poder de gênero que estão gerando risco e vulnerabilidade ao HIV”, ressaltou.

Empoderar comunidades para melhorar a resposta ao HIV

“Mais do que nunca, nós precisamos atrelar o papel das comunidades de base comunitária que atuam em prol de sua gente”, secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem no Dia Mundial contra Aids 2019. Foto: UNAIDS.

“Mais do que nunca, nós precisamos atrelar o papel das comunidades de base comunitária que atuam em prol de sua gente”, secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem no Dia Mundial contra Aids 2019. Foto: UNAIDS.

Em sua mensagem para o dia, a diretora-executiva do UNAIDS ressaltou que as comunidades são a melhor esperança para acabar com a AIDS porque lutam contra o HIV desde o início.

“Os ativistas desafiaram o silêncio e trouxeram serviços capazes de salvar vidas em suas comunidades”, afirmou Byanyima.

O secretário-geral da ONU também lembra que acabar com a epidemia exigirá um contínuo esforço de colaboração.

“Mais do que nunca, nós precisamos atrelar o papel das comunidades de base comunitária que atuam em prol de sua gente”, afirmou Guterres. “Onde a comunidade está engajada, vemos a mudança acontecer”, concluiu.

Ainda assim, a diretora-executiva do UNAIDS reforça que é fundamental o apoio e a responsabilização dos governos para frear a doença.

“Sejamos claros: defender os direitos humanos e desafiar a discriminação, criminalização e estigma é um trabalho arriscado hoje”, apontou.

“Por isso, pedimos aos governos que abram um espaço para que ativistas possam fazer o trabalho que fazem melhor. Com as comunidades liderando e os governos cumprindo suas promessas, acabaremos com a AIDS”, concluiu Byanyima.

Clique aqui para ter acesso à cartilha do Dia Mundial contra a AIDS produzido pelo UNAIDS (em português).

Clique aqui para ter acesso ao relatório UNAIDS “Poder para as pessoas”, com dados atualizados sobre HIV/AIDS no mundo (em inglês).