ONU renova pedido de trégua humanitária da Líbia

Desde que os confrontos começaram no início de abril em torno da capital da Líbia, Trípoli, mais de 42 mil pessoas foram deslocadas e milhares ainda podem estar presas dentro da cidade.

Enquanto equipes humanitárias das Nações Unidas trabalham incansavelmente para fornecer assistência vital, a chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, destacou a necessidade urgente de um cessar-fogo imediato e de corredores humanitários para civis.

“O agravamento de ataques em áreas residenciais, incluindo o uso de artilharia, foguetes e ataques aéreos, é profundamente preocupante. Milhares de crianças, mulheres e homens estão com suas vidas em risco”, afirmou Bachelet.

Prédios destruídos em Trípoli, na Líbia. Foto: OCHA/Giles Clarke

Prédios destruídos em Trípoli, na Líbia. Foto: OCHA/Giles Clarke

Desde que os confrontos começaram no início de abril em torno da capital da Líbia, Trípoli, mais de 42 mil pessoas foram deslocadas e milhares ainda podem estar presas dentro da cidade.

Enquanto equipes humanitárias das Nações Unidas trabalham incansavelmente para fornecer assistência vital, a chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, destacou a necessidade urgente de um cessar-fogo imediato e de corredores humanitários para civis.

“O agravamento de ataques em áreas residenciais, incluindo o uso de artilharia, foguetes e ataques aéreos, é profundamente preocupante. Milhares de crianças, mulheres e homens estão com suas vidas em risco”, afirmou Bachelet.

“Lembro todas as partes do conflito que o uso de armas explosivas com efeitos indiscriminados em áreas densamente povoadas é uma violação da lei internacional humanitária e da lei internacional de direitos humanos”, acrescentou.

Em comunicado na terça-feira (30), a alta-comissária também expressou sérias preocupações com a segurança de cerca de 3.350 migrantes e refugiados que ainda estão em centros de detenção próximos às áreas de conflito.

“Migrantes devem ser libertados de centros de detenção urgentemente e devem ter acesso à mesma proteção humanitária de todos os civis, incluindo acesso a abrigos coletivos e outros locais seguros”, destacou.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) ecoou o pedido de “trégua humanitária temporária para permitir o fornecimento de serviços de emergência e a passagem segura e voluntária de civis para fora de áreas afetadas pelo conflito”.

Confrontos começaram em torno de Trípoli no início de abril, quando o general Khalifa Haftar, chefe das Forças Armadas da Líbia, deu início a uma campanha militar para tomar Trípoli de combatentes leais ao governo reconhecido pela ONU.

Pela segunda semana no mês, o número de vítimas chegou à casa das centenas e o número de deslocados à casa dos milhares.

Até o momento, a ONU registrou em torno de 350 mortos, incluindo 22 civis, e mais de 1.650 feridos, incluindo 74 civis. Bachelet destacou que o número real de civis mortos ou feridos “é possivelmente maior”.

“Os hospitais estão lotados de pessoas feridas que precisam de cirurgias”, disse Hussein Hassan, chefe da equipe de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Líbia.

“Alguns especialistas, como o cirurgião vascular, estão viajando de um lugar para outro para cobrir dois hospitais”, acrescentou. Em pouco mais de uma semana, três equipes médicas da OMS realizaram 144 cirurgias grandes e 104 cirurgias pequenas.

Ao passo que o conflito se intensifica, a ONU não possui fundos suficientes para realizar intervenções críticas. Junto com outros parceiros humanitários, a Organização fez um apelo de 10,2 milhões de dólares para ajudar cerca de 100 mil pessoas especificamente afetadas pelo surto de violência em torno de Trípoli.