ONU renova apelo à solidariedade; OMS alerta que maior parte do mundo ainda está em risco

É necessário um esforço “maciço” e combinado de todos os países para combater a pandemia de COVID-19, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na segunda-feira (18), enquanto o chefe da agência de saúde da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, insistiu que “a maioria da população mundial permanece suscetível a esse vírus”.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, fala em conferência de imprensa em Genebra (arquivo) - Foto: Elma Okic/ONU

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, fala em conferência de imprensa em Genebra (arquivo) – Foto: Elma Okic/ONU

É necessário um esforço “maciço” e combinado de todos os países para combater a pandemia de COVID-19, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na segunda-feira (18), enquanto o chefe da agência de saúde da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, insistiu que “a maioria da população mundial permanece suscetível a esse vírus”.

Dirigindo-se aos Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) que participaram da Assembleia Mundial da Saúde por videoconferência, o chefe da ONU apontou que, apesar de “alguma solidariedade”, havia “muito pouca unidade” na resposta global ao novo coronavírus até agora.

Por causa disso, “um vírus microscópico nos deixou de joelhos”, disse ele, antes de reiterar seu apoio à OMS.

“Muitos países ignoraram as recomendações da Organização Mundial da Saúde”, afirmou o chefe da ONU. “Como resultado, o vírus se espalhou pelo mundo e agora está se movendo para o Sul Global, onde seu impacto pode ser ainda mais devastador, e estamos correndo o risco de novos picos e ondas”.

Comparando as estratégias “às vezes contraditórias” adotadas pelos países ao fracasso global em lidar com as mudanças climáticas, Guterres repetiu seu apelo a mais nações para lidar com o impacto na pandemia na saúde e as conseqüências econômicas e sociais. “A menos que controlemos a propagação do vírus, a economia nunca se recuperará”, explicou.

É necessário apoio “para manter as famílias à tona e as empresas solventes”, insistiu o secretário-geral da ONU, reiterando seu apelo ao grupo de nações do G20 para considerar o lançamento de um pacote de estímulo equivalente a uma porcentagem de dois dígitos do PIB global.

Ele também pediu maior apoio por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Grupo Banco Mundial e de outras instituições financeiras internacionais.

Apoio aos mais vulneráveis

Os indivíduos mais afetados devem receber ajuda, explicou Guterres, citando mulheres, idosos, crianças e pessoas de baixa renda, entre outros.

Embora os países desenvolvidos possam fazer isso sozinhos, precisamos aumentar massivamente os recursos disponíveis para o mundo em desenvolvimento. “E todos estamos pagando um preço muito alto”.

Reconhecendo os pedidos de alguns países para uma investigação sobre como a nova ameaça de coronavírus se espalhou tão rapidamente, o chefe da ONU insistiu que era muito cedo para isso.

“As lições aprendidas serão essenciais para enfrentar efetivamente desafios semelhantes, pois podem surgir no futuro”, afirmou ele. “Mas agora não é a hora. Agora é a hora da unidade, para a comunidade internacional trabalhar em conjunto, em solidariedade, para impedir esse vírus e suas consequências devastadoras.”

“Ou estamos juntos ou desmoronamos”

Depois de prestar homenagem aos profissionais de saúde da linha de frente “que são os heróis dessa pandemia”, Guterres também reiterou seu apoio à OMS, descrevendo a organização como “insubstituível” e que precisava de mais recursos para apoiar países em desenvolvimento.

“Ou enfrentamos essa pandemia juntos, ou falharemos”, disse ele, em um discurso que também destacou o “ambiente multilateral sem lei”, ameaçado por violações constantes na segurança cibernética e ao “risco cada vez maior” de proliferação nuclear. “Ou estamos juntos ou desmoronamos”, disse ele.

Até o momento, a OMS registrou mais de 4,5 milhões de casos de infecção por COVID-19 e mais de 300 mil vidas perdidas, disse o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus aos Estados-Membros na segunda-feira (18).