ONU: Recentes ataques obrigam nigerianos a fugirem para Camarões, onde 39 mil estão refugiados

O ACNUR alertou que, mesmo depois de cruzarem a fronteira para Camarões, muitos refugiados continuam sendo perseguidos pelos insurgentes e foram realocados para lugares mais seguros.

Mulheres nigerianas forçadas a fugirem da Nigéria trabalham juntas para construir um abrigo no campo de refugiados em Minawao, Camarões. Foto: ACNUR/J.M. Awono

Mulheres nigerianas forçadas a fugirem da Nigéria trabalham juntas para construir um abrigo no campo de refugiados em Minawao, Camarões. Foto: ACNUR/J.M. Awono

Recentes ataques de grupos insurgentes no nordeste da Nigéria levaram milhares de pessoas a procurar refúgio em Camarões durante os últimos 10 dias, informou nesta terça-feira (02) o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). De acordo com as autoridades camaronenses, o número total de refugiados nigerianos em Camarões é de 39 mil, incluindo os 19.633 que foram registrados pelo ACNUR.

O ACNUR alertou que mesmo depois de cruzarem a fronteira para  Camarões, muitos refugiados continuam sendo perseguidos pelos insurgentes e por isso a agência já providenciou a realocação de várias pessoas para acampamentos mais seguros, explicou o porta-voz da agência, Adrian Edwards. Segundo o ACNUR, no domingo (31) os insurgentes atacaram a cidade de Kerawa em Camarões, forçando refugiados e alguns moradores a fugirem para o interior.

A agência da ONU mostrou preocupação com os ataques a civis também no território camaronense. Na semana passada, os insurgentes cruzaram a fronteira e provocaram a fuga de 1,7 mil habitantes locais para vilarejos no interior, perto da fronteira com o Chade, ao cortarem a garganta de três pessoas em uma igreja. Eles também queimaram postos de polícia e da guarda nacional, uma fábrica de algodão e roubaram 400 vacas.

Em Niger se encontram outras 50 mil pessoas deslocadas que chegaram da Nigéria desde maio de 2013. Dentro da Nigéria, cerca de 645 mil pessoas foram deslocadas dos estados de Adamawa, Borno e Yobe, como resultado da violência.