ONU recebeu 70 novas acusações de exploração e abuso sexual em 3 meses

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As Nações Unidas receberam 70 novas acusações de exploração sexual e abuso em todas as suas entidades e parceiros entre o início de abril e o fim de junho deste ano, disse o vice-porta-voz da Organização, Farhan Haq, nesta segunda-feira (30). Desse total, 18 casos envolveram operações de paz e 25 pessoas de agências, fundos e programas.

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Manuel Elias

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Manuel Elias

As Nações Unidas receberam 70 novas acusações de exploração sexual e abuso em todas as suas entidades e parceiros implementadores entre o início de abril e o fim de junho deste ano, disse o vice-porta-voz da Organização, Farhan Haq, nesta segunda-feira (30). Desse total, 18 casos envolveram operações de paz e 25 pessoas de agências, fundos e programas.

“Notem que nem todas as acusações foram totalmente verificadas, e muitas estão em fase preliminar de análise”, explicou o porta-voz a jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque.

Um total de 43 acusações envolvem pessoal da ONU; 24 estão relacionadas a pessoas não ligadas à ONU que trabalham para parceiros; e três estão relacionadas a forças internacionais não ligadas à ONU, que foram autorizadas por um mandato do Conselho de Segurança.

Das 70 acusações, 27 ocorreram este ano, nove em 2017, cinco em 2016, dez em 2015 e duas em 2014. A data dos fatos não é conhecida no caso de 17 acusações.

A maioria das acusações envolve exploração sexual, definida como “qualquer abuso ou tentativa de abusar de uma posição de vulnerabilidade, poder diferencial ou confiança, para fins sexuais, incluindo, mas não limitado a, lucrar monetariamente, socialmente ou politicamente com a exploração sexual de outro”.

Outros 18 casos foram categorizados como abuso sexual, definido como “a intrusão física real ou ameaça de natureza sexual, seja pela força ou sob condições desiguais ou coercitivas”. Outros seis casos foram classificados como “outros” ou de natureza desconhecida.

Mulheres e meninas sofrem mais com esses crimes, segundo os números apresentados. De um total de 84 vítimas relatadas, 46 são mulheres, 17 são meninas (com menos de 18 anos) e 12 são mulheres cuja idade é desconhecida. Além disso, um menino (com menos de 18 anos) e cinco homens de idade desconhecida também estão entre as vítimas.

Dos 88 acusados, todos, exceto oito, são homens, com quatro mulheres e quatro indivíduos cujo gênero é desconhecido.

Segundo o vice-porta-voz, até agora, três das alegações foram comprovadas através de uma investigação; dois casos não foram comprovados e quatro foram encerrados devido a outras circunstâncias. Os 61 restantes estão em vários estágios de investigação ou sob revisão preliminar. No total, foram comunicadas 16 acusações aos Estados-membros envolvidos.

“Continuamos nossos esforços para implementar a estratégia do secretário-geral da ONU de combater a exploração e o abuso sexual”, disse Haq. Quanto ao compromisso das Nações Unidas de acabar com a impunidade, ele explicou que em junho a Organização lançou “uma ferramenta eletrônica para a divulgação dos nomes de funcionários que foram demitidos em razão de alegações substanciais de exploração e abuso sexual, ou que se demitiram ou foram demitidos durante uma investigação”.


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