ONU recebe US$1 bi de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos para resposta à crise no Iêmen

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda gratidão pelos 930 milhões de dólares fornecidos na terça-feira (27) por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos para o Fundo Humanitário do Iêmen.

Na segunda-feira (26), três anos depois de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita intervir na guerra no país, Guterres disse que a escalada militar não é solução para o conflito, e pediu contenção para as partes envolvidas.

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou sua profunda gratidão pelos 930 milhões de dólares fornecidos na terça-feira (27) por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos para o Fundo Humanitário do Iêmen.

“Gostaria de aproveitar esta ocasião para pedir que todos os demais doadores que se reunirão em Genebra na semana que vem tenham a mesma generosidade” demonstrada pelos dois países, disse o chefe da ONU a jornalistas na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, após reunião com o príncipe herdeiro Mohamad Bin Salman Al Saud, da Arábia Saudita.

“Esses recursos cobrem quase um terço dos 2,96 bilhões de dólares necessários para implementar o Plano de Resposta Humanitária para o Iêmen em 2018, que permitirá às Nações Unidas e seus parceiros ajudar a aliviar o sofrimento de milhões de pessoas vulneráveis no país”, disse o comunicado emitido pelo gabinete de Guterres, após a assinatura de um memorando de contribuições voluntárias.

Mais de 22 milhões de pessoas no Iêmen precisam de ajuda humanitária ou proteção, incluindo 2 milhões que estão deslocados internamente devido ao conflito entre o governo e forças rebeldes. No início de abril (3), doadores se reunirão em uma conferência humanitária em Genebra, na Suíça.

Em sua reunião com o príncipe, que também é primeiro vice-primeiro e ministro da Defesa, Guterres disse que “dar àqueles em necessidade é o pilar do islamismo”, lembrando que dois terços dos refugiados são muçulmanos e estão sendo recebidos por países muçulmanos.

O secretário-geral da ONU e o príncipe herdeiro discutiram as obrigações de todas as partes no conflito diante da lei humanitária internacional para proteger civis e infraestrutura, e a necessidade latente de acesso humanitário no país. Pediu ainda que todos os portos iemenitas permaneçam abertos tanto para movimento humanitário como comercial.

Eles também discutiram a necessidade de as partes no conflito trabalharem rumo a um acordo político negociado por meio de diálogo inclusivo. Guterres disse que a ONU está pronta para trabalhar junto com a Arábia Saudita rumo a esses objetivos.

A ONU, por meio de seu enviado, tem se engajado em ajudar iemenitas a encontrar uma solução pacífica. As agências da ONU e parceiros também estão em terra para entregar ajuda humanitária essencial.

Coalizão liderada pela Arábia Saudita interviu no Iêmen há três anos

Três anos depois de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita intervir na guerra do Iêmen, e horas depois de rebeldes Houthi lançarem mísseis contra cidades do país, o secretário-geral da ONU disse na segunda-feira (26) que a escalada militar não é uma solução, e pediu contenção para todas as partes.

Um enviado da ONU reuniu-se com as partes em conflito em sua tentativa de facilitar um acordo político negociado para a crise.

“O enviado especial (Martin Griffiths) está em Sanaa esta semana para se reunir com diversos grupos iemenitas”, disse o porta-voz da ONU Farhan Haq a jornalistas em Nova Iorque.

A enviado especial anterior, Ismail Ould Cheikh Ahmed, que estava liderando as negociações desde 2015, deixou o cargo no mês passado.

Em 26 de março de 2015, uma coalizão de países liderados pela Arábia Saudita interveio militarmente a pedido do presidente Abd Rabbuh Mansour Hadi para garantir o retorno do governo a Sanaa, que havia sido controlado por milícias Houthi e unidades das forças armadas quando o conflito começou em 2014.

Três anos depois, os confrontos são crescentes e a crise humanitária se aprofundou em um país que já era um dos mais pobres da região. No domingo (25), mísseis foram lançados contra a Arábia Saudita.

Educação das crianças é vítima do conflito, diz UNICEF

O sistema educacional do Iêmen foi devastado pelo brutal conflito no país, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na terça-feira (27), informando que ao menos 500 mil crianças abandonaram a escola desde a escalada da guerra, em 2015.

“Uma geração inteira de crianças no Iêmen enfrenta um futuro sombrio devido a acesso limitado ou nenhum acesso à educação”, disse Meritxell Relaño, representante do UNICEF no Iêmen. “Mesmo aqueles que permanecem na escola não estão recebendo a educação de qualidade de que precisam”.

De acordo com a agência da ONU, o número total de crianças fora da escola soma 2 milhões, e quase três quartos de professores de escolas públicas não recebem salários há mais de um ano, o que coloca a educação de outras 4,5 milhões de crianças em risco.

Mais de 2,5 mil escolas estão fora de serviço, com dois terços delas danificadas por ataques, 27% fechadas e 7% usadas para propósitos militares ou como abrigos para pessoas deslocadas.

As crianças arriscam serem mortas no caminho para a escola. Temendo pela segurança delas, muitos pais escolhem mantê-las em casa.

A falta de acesso à educação empurrou crianças e famílias a alternativas perigosas, incluindo casamento e trabalho infantil, e recrutamento para o combate.

O UNICEF pede que as partes em conflito, autoridades governamentais e doadores coloquem um fim à guerra, paguem os professores, protejam a educação das crianças de forma incondicional, e aumentem o financiamento para a educação.


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