ONU recebe 64 novas acusações de exploração e abuso sexual nos últimos 3 meses

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As Nações Unidas receberam 64 novas acusações de exploração e abuso sexual, envolvendo 77 vítimas, entre julho e setembro deste ano, em seus diversos escritórios, agências e organizações parceiras, disse na segunda-feira (5) o porta-voz da Organização, Stéphane Dujarric.

“Por favor, notem que nem todas estas acusações foram totalmente verificadas, muitas ainda estão em fases preliminares de avaliação”, disse o porta-voz a jornalistas na sede da ONU em Nova York, acrescentando que estas atualizações trimestrais são parte da iniciativa do secretário-geral para “transparência crescente” neste assunto.

Funcionários da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) organizam evento com estudantes sobre exploração e abuso sexual em Bangui no início deste ano. Foto: ONU/Hervé Serefio

Funcionários da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) organizam evento com estudantes sobre exploração e abuso sexual em Bangui no início deste ano. Foto: ONU/Hervé Serefio

As Nações Unidas receberam 64 novas acusações de exploração e abuso sexual, envolvendo 77 vítimas, entre julho e setembro deste ano, em seus diversos escritórios, agências e organizações parceiras, disse na segunda-feira (5) o porta-voz da Organização, Stéphane Dujarric.

“Por favor, notem que nem todas estas acusações foram totalmente verificadas, muitas ainda estão em fases preliminares de avaliação”, disse o porta-voz a jornalistas na sede da ONU em Nova York, acrescentando que estas atualizações trimestrais são parte da iniciativa do secretário-geral para “transparência crescente” neste assunto.

Das 64 acusações, seis envolvem membros das forças de paz, 33 funcionários de agências, fundos e programas da ONU e outras 25, funcionários de fora da ONU, mas que trabalham com organizações que implementam programas das Nações Unidas.

A maioria dos incidentes relatados – 30 deles – aconteceu em 2018; outros 15, em 2015. A data é desconhecida para 19 das acusações relatadas.

Das 77 vítimas, a maioria é formada por mulheres (42) e meninas (24), enquanto dois homens e um menino também relataram exploração sexual e abuso. A idade ou gênero dos oito sobreviventes restantes não são conhecidos.

A maioria das vítimas (55) sofreu o que é categorizado como exploração sexual, definida como “qualquer abuso ou tentativa de abuso de uma posição de vulnerabilidade, poder diferencial ou confiança para propósitos sexuais, incluindo, mas não limitados a, lucrar monetariamente, socialmente ou politicamente da exploração sexual de outro”.

Outras 16 vítimas teriam sofrido incidentes categorizados como abuso sexual, definido como “intrusão física real ou ameaçada de uma natureza sexual, seja por força ou sob condições desiguais e coercitivas”. Outras quatro foram classificadas como de natureza desconhecida e duas foram consideradas infundadas após investigação.

Os acusados são 66 homens, uma mulher e dois indivíduos cujo gênero é desconhecido.

Das 39 acusações relacionadas a funcionários da ONU, uma não foi fundamentada, 22 estão em diversas fases de investigação e 16 estão sob avaliações preliminares para determinar se há informações suficientes para investigação.

A respeito das 25 acusações relacionadas a membros de organizações de fora da ONU, duas foram fundamentadas através de investigação, e os autores foram demitidos por seus empregadores. Uma acusação não foi fundamentada, 14 estão em diversos estágios de investigação, sete sob avaliação preliminar e uma acusação foi fechada a pedido da vítima.

“Os esforços para implementar a estratégia do secretário-geral para combater exploração e abusos sexuais continuam sendo fortalecidos”, disse Dujarric.

Foi lançado em setembro um Círculo de Liderança, incorporando o comprometimento de líderes mundiais para erradicar explorações e abusos sexuais em todo o Sistema ONU. Até o momento, 49 chefes de Estado e de governo, 22 chefes de entidades da ONU e 72 líderes globais se juntaram ao movimento.

Além disso, durante as últimas semanas, uma ferramenta eletrônica chamada “Clear Check”, desenvolvida para monitorar funcionários da ONU demitidos como resultado de acusações fundamentadas de explorações e abusos sexuais, ou que renunciaram ou foram afastados durante uma investigação, começou a ser implementada em todo S sistema ONU.


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