ONU realiza missão humanitária em comunidades afetadas por conflito na Colômbia

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) realizou entre 28 e 30 de março uma missão humanitária nas comunidades da bacia do Rio Truandó, na Colômbia, diante da situação crítica de confinamento, deslocamento e recrutamento forçado enfrentada por comunidades indígenas e afrodescendentes.

Na Colômbia, o conflito armado custou a vida de mais de 220 mil pessoas e obrigou mais de 7,3 milhões a abandonar seus lares. A violência atinge de forma desproporcional as comunidades indígenas, afrocolombianas, assim como mulheres, crianças e adolescentes.

Comunidades que que vivem na região de Riosúcio, Chocó, estão correndo risco de deslocamento forçado. Foto: ACNUR/J. Symmes Cobb

Comunidades que que vivem na região de Riosúcio, Chocó, estão correndo risco de deslocamento forçado. Foto: ACNUR/J. Symmes Cobb

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) realizou entre 28 e 30 de março uma missão humanitária nas comunidades da bacia do Rio Truandó, na Colômbia, diante da situação crítica de confinamento, deslocamento e recrutamento forçado enfrentada por comunidades indígenas e afrodescendentes.

As comunidades indígenas de Kiparadó La Loma, Marcial, Jagual, Juin Duur, Pichindé e Peñas Blancas, das etnias Wounaan e Embera, e as comunidades afrodescendentes de Quiparadó Platanillo, La Nueva e Taparal enfrentam situação de risco de deslocamento iminente como resultado dos conflitos entre grupos armados ilegais presentes nas bacias do Rio Truandó, no município de Riosucio, departamento de Chocó, desde a segunda semana de março.

As comunidades mencionadas estão confinadas, ou seja, não podem acessar os locais de agricultura e de produção de alimentos, e têm restrições em sua mobilidade impostas por grupos armados ilegais que colocam minas no território, inclusive em lugares próximos a escolas.

A missão humanitária, realizada junto à Unidade para Vítimas, a Defensoria no Povo e a administração municipal de Riosucio, foi realizada por haver uma situação crítica de confinamento, deslocamento e recrutamento forçado, enquanto as comunidades estão sob o risco de serem feridas por minas e munições que não estouraram e por explosivos improvisados, principalmente as comunidades indígenas e afrodescendentes que vivem nos territórios.

Por conta da situação, aproximadamente 800 pessoas que pertencem às comunidades indígenas de Juin Duur e Chintadó e às comunidades afrodescendentes de Quiparadó Platanillo, Clavellino, Traundó Medio, Taparal e Pavas já se deslocaram e fizeram depoimentos na representação legal municipal.

O ACNUR alertou que se a situação crítica da região continuar, as famílias que moram na bacia poderiam se deslocar até a cabeceira municipal de Riosucio. As crianças e adolescentes da região estão em risco de recrutamento e vinculação aos grupos armados ilegais que lutam pelo controle do território de Truandó.

O Sistema de Alertas e a Defensoria do Povo de Colômbia avisaram no dia 26 de março que as comunidades estavam em risco. O ACNUR pediu a implementação de todas as medidas necessárias para proteger a população civil frente às infrações ao Direito humanitário internacional.

“Chamamos as entidades de nível local, departamental e nacional para dar atenção humanitária às comunidades deslocadas ou confinadas. O ACNUR reitera seu compromisso de apoiar as instituições estatais nesta tarefa. É igualmente necessário que implementem ações educativas com a comunidade sobre comportamentos seguros e medidas de prevenção frente ao risco de minas, munições que não estouram e explosivos improvisados.”

O ACNUR chamou atenção sobre a situação de deslocamento forçado nos últimos dias em outros lugares da Costa do Pacífico. A agência da ONU reiterou a importância de garantir uma resposta integral e coordenada entre as instituições nacionais e locais, com ênfase particular na atenção humanitária para as comunidades confinadas e nas medidas de proteção para prevenir mais deslocamentos e particularmente por conta dos efeitos nas comunidades indígenas e afrocolombianas.

Na Colômbia, o conflito armado custou a vida de mais de 220 mil pessoas e obrigou mais de 7,3 milhões a abandonar seus lares. A violência atinge de forma desproporcional as comunidades indígenas, afrocolombianas, assim como mulheres, crianças e adolescentes.


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