ONU precisa de uma Europa ‘forte e unida’, diz António Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou recentemente que uma “Europa forte e unida”, ao lado das Nações Unidas, nunca foi tão essencial, sobretudo tendo em vista a fragilização das instituições internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial. O apelo por coesão no bloco europeu foi feito durante o recebimento por Guterres do Prêmio Carlos Magno, concedido anualmente desde 1950 por serviços prestados à unificação europeia.

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recebeu Prêmio Carlos Magno em Aachen, na Alemanha. Foto: UNFCCC/James Dowson

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recebeu Prêmio Carlos Magno em Aachen, na Alemanha. Foto: UNFCCC/James Dowson

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou recentemente que uma “Europa forte e unida”, ao lado das Nações Unidas, nunca foi tão essencial, sobretudo tendo em vista a fragilização das instituições internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial. O apelo por coesão no bloco europeu foi feito durante o recebimento por Guterres do Prêmio Carlos Magno, concedido anualmente desde 1950 por serviços prestados à unificação europeia.

Em cerimônia de entrega da premiação, realizada em 30 de maio na cidade alemã de Aachen, o secretário-geral disse entender que o reconhecimento era também uma homenagem “ao compromisso, serviço e sacrifício de homens e mulheres das Nações Unidas”.

“Desejo que a Europa se manifeste mais decisivamente pela agenda multilateral. As Nações Unidas precisam de uma Europa forte e unida. Para isto acontecer, a Europa terá que enfrentar alguns desafios sérios”, disse o secretário-geral, que citou o aumento das desigualdades, o avanço dos discursos de ódio, do racismo e da xenofobia e a proliferação do terrorismo nas redes sociais.

Na avaliação de Guterres, os princípios democráticos “estão sob cerco e o Estado de Direito está sendo enfraquecido”. Ainda de acordo com o chefe da ONU, uma eventual ruptura do bloco político e econômico de 28 países europeus “seria inevitavelmente o fracasso do multilateralismo e o fracasso de um mundo em que o Estado de Direito pode prevalecer”.

Apesar dos problemas, o secretário-geral disse ter visto “sinais encorajadores” de maior engajamento político nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas entre 23 e 26 de maio.

“Este é o momento em que precisamos restaurar a confiança. A confiança entre as pessoas e os establishments políticos, as instituições e as organizações internacionais”, afirmou Guterres, enfatizando que os jovens de hoje na Europa são “nossa melhor esperança”.

O chefe da ONU defendeu ainda que a UE lidere os esforços em três áreas desafiadoras para o mundo: mudanças climáticas; novas tecnologias; e migração e diversidade.

Cobrando mais ambição dos países em iniciativas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, Guterres ressaltou que “é muito melhor taxar a poluição do que empregos. “Faz algum sentido que nosso dinheiro, como contribuintes, seja usado para impulsionar furacões, espalhar secas, branquear corais, descongelar geleiras, diminuir a biodiversidade e destruir progressivamente o mundo?”, questionou o dirigente, referindo-se a subsídios concedidos a setores econômicos altamente poluentes.

Sobre as novas tecnologias, o secretário-geral afirmou que a Europa está “particularmente bem posicionada” para capitanear uma transformação da sociedade por meio de inovações técnicas, principalmente por sua robusta estrutura regulatória para proteger a privacidade digital.

Para lidar com a Quarta Revolução Industrial, acrescentou Guterres, serão necessárias novas redes de seguridade social. “O modelo social europeu é o melhor fundamento para responder a esses desafios e a Europa tem um papel absolutamente único a desempenhar na criação de condições para transformar essas áreas de maneira positiva.”

Usar migrantes como bodes expiatórios “envergonha” herança da Europa

Segundo o secretário-geral, a cultura do continente europeu sempre foi enriquecida por meio da diversidade. Guterres afirmou que a inclusão de outros povos “foi o ponto inicial da cultura europeia”.

“Usar migrantes como bodes expiatórios e fechar nossas portas para pessoas que pedem asilo não protege, mas envergonha essa herança”, declarou o chefe da ONU, destacando que a Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, de 1951, foi adotada para proteger europeus deslocados após a Segunda Guerra Mundial.

“Todas as sociedades tendem a ser ou já são multiétnicas, multiculturais e multirreligiosas. Isto deve ser considerado uma riqueza, não uma ameaça”, ressaltou Guterres, que acrescentou que “a Europa não pode usar a premissa de ‘nós contra eles’”.

“Apenas estando unida, a Europa irá propor uma abordagem equilibrada que responda às raízes da migração, enquanto, ao mesmo tempo, preserva os direitos e a dignidade de migrantes.”


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