ONU precisa de quase US$ 3 bi para dar assistência a 22,2 milhões de pessoas no Iêmen

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Para ajudar a população que vive em meio a uma guerra civil, as Nações Unidas e instituições parceiras precisam de 2,96 bilhões de dólares, segundo anunciado pelo Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). País tem apenas 50% de suas instalações médicas em plena capacidade operacional.

Representante do UNICEF no Iêmen, Meritxell Relaño, com menino desnutrido em hospital em Sanaa. Foto: UNICEF

Representante do UNICEF no Iêmen, Meritxell Relaño, com menino desnutrido em hospital em Sanaa. Foto: UNICEF

A crise humanitária no Iêmen atingiu patamares inéditos — 22,2 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária, número recorde que representa um aumento de 3,4 milhões na comparação com o ano passado. Para ajudar a população que vive em meio a uma guerra civil, as Nações Unidas e instituições parceiras precisam de 2,96 bilhões de dólares, segundo anunciado pelo Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) ao final de janeiro.

Em resposta à crise, o Canadá prometeu disponibilizar 12 milhões de dólares. Já o Fundo Central de Resposta de Emergência da ONU anunciou a liberação de 50 milhões de dólares para as operações de assistência.

A Arábia Saudita — país que lidera uma coalizão de outras nações atuando no conflito do Iêmen — e os Emirados Árabes se comprometeram a doar 1 bilhão de dólares. Outras entidades e países da região acordaram contribuições adicionais de 500 milhões de dólares.

No final do mês passado, o chefe do OCHA e coordenador humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, pediu apoio ao programa de assistência e alertou que “iemenitas já sofreram por tempo demais”.

Dirigente também enfatizou a importância de manter todos os portos do país — incluindo Hudaydah e Saleef — abertos para o recebimento de assistência humanitária e importações de alimento, remédios e combustível. Mais de 70% da população em necessidade de assistência vive perto desses dois portos do Mar Vermelho, que estavam fechados, mas foram liberados em dezembro de 2017.

OMS usa recursos de emergência

Com apenas 50% das instalações médicas do Iêmen em plena capacidade operacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu no início de fevereiro (7) usar 9,1 milhões de dólares para melhorar a prestação de serviços para 630 mil pessoas. População beneficiada vive nos distritos ao redor de Sanaa e al-Hudayda. Dinheiro vem do Fundo Central de Resposta de Emergência da ONU.

A verba será usada para atender a 189 mil pessoas internamente deslocadas e outros 441 mil iemenitas de comunidades de acolhimento, incluindo indivíduos com doenças crônicas, mulheres grávidas e lactantes, crianças severamente malnutridas e iemenitas feridos em meio ao conflito.

Segundo o representante da OMS no Iêmen, Nevio Zagaria, o organismo internacional trabalhará com parceiros para “suprir carências críticas na prestação de cuidado básico de saúde, na resposta a surtos de doenças, no fortalecimento da vigilância e na distribuição de suprimentos médicos”. No Iêmen, 16,4 milhões de pessoas precisam de assistência para ter acesso a serviços de saúde. Com a crise no país, eclodiram surtos contínuos de cólera e difteria.

ONU elogia liberação de comboios humanitários

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, elogiou a iniciativa da coalizão saudita para facilitar a entrega de assistência humanitária no país. Ao final de janeiro, cinco caminhões levando 180 mil litros de gasolina chegaram à província de Marib, no norte do Iêmen.

“A coalizão se comprometeu em aumentar as entregas de combustível para 1 milhão de litros por semana nos próximos dias”, afirmou o dirigente máximo da ONU. Guterres explicou que, diante da atual crise humanitária, o combustível será disponibilizado para estações de tratamento de água e centros de saúde conforme a necessidade, tendo em vista a manutenção de serviços essenciais para a população.

“O modo mais eficaz para enfrentar o sofrimento humanitário no Iêmen é acabar com o conflito”, ressaltou o secretário-geral, que pediu a todos os doadores que enviem contribuições para a resposta da ONU às emergências no país.


Mais notícias de:

Comente

comentários