ONU pede US$920 milhões para dar assistência a refugiados rohingya em Bangladesh

Para levar assistência a mais de 900 mil refugiados rohingya que vivem em Bangladesh, agências das Nações Unidas e organizações parceiras lançaram neste mês (15) um apelo humanitário de 920 milhões de dólares. Verba vai financiar apoio ao longo de todo o ano de 2019. Montante também beneficiará 330 mil bengalis vulneráveis, que moram nas comunidades para onde migraram os rohingyas.

Refugiados rohingya em Cox's Bazar, Bangladesh. Foto: ACNUR/Santiago Escobar-Jaramillo

Refugiados rohingya em Cox’s Bazar, Bangladesh. Foto: ACNUR/Santiago Escobar-Jaramillo

Para levar assistência a mais de 900 mil refugiados rohingya que vivem em Bangladesh, agências das Nações Unidas e organizações parceiras lançaram neste mês (15) um apelo humanitário de 920 milhões de dólares. Verba vai financiar apoio ao longo de todo o ano de 2019. Montante também beneficiará 330 mil bengalis vulneráveis, que moram nas comunidades para onde migraram os rohingyas.

Mais de 745 mil rohingyas fugiram da violência em seu país de origem, Mianmar, para o vizinho Bangladesh, desde agosto de 2017. Esse contingente se uniu aos outros 200 mil rohingyas que já estavam em território bengali.

“Nossa urgência humanitária atualmente é estabilizar a situação dos refugiados rohingya apátridas (que não possuem nacionalidade) e dos seus anfitriões bengalis”, disse o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi. “Esperamos contribuições previsíveis, flexíveis e a tempo, para cumprir os objetivos do apelo deste ano.”

Assistência e serviços críticos, como alimentos, água, saneamento e abrigo, representam mais da metade da verba solicitada este ano. O orçamento inclui ações de saúde, educação, proteção de crianças e resposta à violência sexual e de gênero.

“A solidariedade mostrada pelo governo de Bangladesh e o comprometimento de parceiros humanitários garantiu a implementação bem-sucedida do primeiro Plano de Resposta Conjunta, em 2018”, disse o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), António Vitorino.

“Seguindo adiante, nós reiteramos nosso compromisso de atender às necessidades extremas desta população e instamos a comunidade internacional a apoiar estes esforços.”

O plano humanitário para 2019 conta com a participação de 132 parceiros – entre agências da ONU, ONGs internacionais e nacionais e órgãos do governo – para proteger mulheres, homens, meninos e meninas em situação de refúgio.

“Mas enquanto atacamos estas necessidades humanitárias imediatas, não podemos perder de vista as soluções”, destacou Grandi.

O alto-comissário reiterou o seu pedido de que Mianmar “adote ações urgentes para responder às causas da crise, que persistem há décadas, para que pessoas não sejam mais forçadas a fugir e possam eventualmente voltar para casa em segurança e dignidade”.

Em 2018, resposta humanitária teve rombo de 30% no orçamento

Em 2018, o plano conjunto de resposta humanitária recebeu apenas 69% dos fundos solicitados — o equivalente a 655 milhões de dólares de um orçamento total de 950 milhões. Os recursos permitiram melhorias nas condições de vida em acampamentos, bem como ações para evitar os riscos de desastres naturais associados às temporadas de monções e ciclones. Mas a verba não foi suficiente para superar a extrema precariedade em que vivem os rohingyas.

Toda a população refugiada, por exemplo, recebeu kits básicos de abrigo de emergência pra lidar com a temporada de chuvas de 2018, mas agora são necessários abrigos mais seguros e robustos. Embora cerca de 860 mil refugiados recebam regularmente doações de alimentos, apenas 240 mil conseguem diversificar suas dietas além do pacote mínimo de arroz, lentilha e óleo, que deve ser expandido para garantir uma melhor nutrição.

O ACNUR ressaltou que, até as causas do deslocamento forçado em Mianmar serem enfrentadas, Bangladesh deve apoiar os refugiados e as comunidades de acolhimento. Investimentos contínuos em água potável e saneamento, saúde e proteção são vitais.

“Encorajamos países na região e em outras partes do mundo a mostrarem solidariedade com Bangladesh e apoiarem Mianmar para que (o país) comece a criar condições para o retorno voluntário, seguro e digno de refugiados rohingya”, concluiu o chefe do ACNUR.


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