ONU pede US$ 202 mi para levar assistência à população da Líbia

Crianças vistas numa rua na Líbia. Foto: OCHA/Giles Clarke

Na Líbia, as Nações Unidas e seus parceiros, junto com o governo interino, lançaram na terça-feira (5) um apelo humanitário de 202 milhões de dólares para 2019, com o objetivo de financiar a assistência a cerca de 550 mil mulheres, crianças e homens. País atravessa longa crise política, que começou em 2011 com as manifestações que levaram à queda do líder Muammar Gaddafi. A instabilidade se transformou num conflito armado entre diferentes grupos.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), atualmente 823 mil pessoas, incluindo em torno de 248 mil crianças, precisam de ajuda humanitária. O contingente inclui pessoas deslocadas internamente, indivíduos afetados por conflitos, comunidades de acolhimento de estrangeiros e migrantes que enfrentam graves violações e abusos de direitos humanos, na ausência do Estado de Direito.

Na capital líbia, Trípoli, a coordenadora humanitária da ONU no país, Maria Ribeiro, e o ministro de Governança Local, Milad Al Taher, apresentaram um plano de resposta à atual conjuntura, com o presidente do Conselho da Presidência, Fayez al-Sarraj, e o chefe da Missão da ONU na nação africana (UNSMIL), Ghassan Salamé.

“Anos de instabilidade e insegurança tiveram um preço sobre o bem-estar de muitos homens, mulheres e crianças na Líbia. A cada ano que passa, pessoas lutam para resistir ao impacto de uma crise que desestabilizou o país, colocou-as em perigo e devastou a economia”, disse Maria.

No prefácio do plano de resposta, Ribeiro destacou que a Líbia agora produz bem mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia, mas isto ainda não se traduziu em benefícios tangíveis para as pessoas.

“Muitos líbios ficam mais pobres a cada ano. Saúde básica e serviços de educação pioram e cidadãos frustrados não conseguem entender o motivo de a produção de petróleo e uma maior receita do governo não levar a padrões de vida melhores, segurança e bem-estar para todos na Líbia”, afirmou a dirigente.

A maioria das pessoas em necessidade está em áreas urbanas altamente populosas nas regiões oeste e leste da Líbia. Mas os indivíduos com as necessidades mais críticas e severas são encontrados na região costeira de Sirt e em partes do sul do país (Murzuq, Sebha e Alkufra), onde o acesso das organizações humanitárias é difícil por conta da violência e instabilidade.

Os fundos solicitados pela ONU para 2019 têm o objetivo de fornecer alimentação, saúde, proteção, água e serviços sanitários, abrigo, itens domésticos básicos e suporte educacional de emergência para os mais vulneráveis. A estratégia traz medidas para proteger a população contra dispositivos explosivos enterrados, que ameaçam as vidas de comunidades inteiras.

O plano prevê o fornecimento de suprimentos alimentares vitais, mas também inclui iniciativas de recuperação no longo prazo, com a distribuição de sementes, ferramentas e outros itens para comunidades agrícolas e pesqueiras.

Se financiadas adequadamente, as agências humanitárias irão estabelecer equipes médicas de emergência e enviar equipes móveis para atender à população. A ideia é reforçar o controle e o monitoramento de doenças.

Água e saneamento são prioridades em centros de detenção, que estão sobrecarregados e insalubres. A falta de recursos hídricos e de infraestrutura de esgoto também é um problema em escolas nos locais marginalizados e em acampamentos para refugiados e pessoas deslocadas internamente.

O plano da ONU prevê que famílias em necessidade de abrigo recebam materiais de construção e assistência financeira.