ONU pede uma diplomacia cidadã global para promover Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Em evento do Instituto Ethos, a Rede Brasileira do Pacto Global reforçou que empresas devem assumir um compromisso mais amplo que apenas destinar recursos para a responsabilidade social.

A Rede Brasileira do Pacto Global participou no dia 25 de setembro de um dos principais painéis da Conferência 360º do Instituto Ethos, em São Paulo. A mesa discutiu oportunidades para o setor privado na implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que irão priorizar a redução das desigualdades sociais e a preservação dos recursos naturais do planeta.

A nova agenda substitui os atuais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e deve ser aprovada em setembro de 2015 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Para os participantes reunidos no painel com moderação de Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos, o sucesso dos ODS depende de uma nova diplomacia cidadã global, que envolva diretamente o setor privado e a sociedade civil organizada.

“Não podemos deixar a diplomacia apenas nas mãos dos estados-membros da ONU. Devemos nos concentrar nas mudanças revolucionárias”, destacou o co-fundador e diretor do ECODES, Victor Viñuales, da Espanha.

A diretora executiva da Rede Brasileira do Pacto Global, Renata Seabra, reforçou que as empresas precisam assumir um protagonismo nesse contexto. “É muito cômodo destinar apenas recursos para projetos de responsabilidade social. Uma mudança de visão passa pela realização de parcerias entre governos, comunidade e empresas, inclusive entre concorrentes. Precisamos ultrapassar o individualismo”, destacou Seabra, lembrando que o novo modelo de desenvolvimento sustentável exigirá maior colaboração e co-investimento de tempo e dedicação entre os diversos setores da sociedade.

A vice-diretora do Centro Rio+, Layla Saad, situou o processo inédito de escuta à sociedade na construção dos ODS e apontou um desafio chave para a implementação desse novo conjunto de metas. “A justiça social, econômica, ambiental e de governança, no nível nacional e internacional, são a única forma de implementar os ODS”, disse.

Para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, “os ODS chamam à retomada da utopia e do sonho, de que os problemas se resolvem com cooperação internacional”. Para essa mudança, no entanto, o ministro lembrou que será preciso mudar padrões de consumo, cultura e comunicação.

Segundo o coordenador-geral para desenvolvimento sustentável do Ministério das Relações Exteriores, Mario Mottin, a sociedade civil brasileira contribuiu ativamente com o debate que antecedeu a apresentação da Minuta Zero dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, apresentada recentemente à Assembleia Geral da ONU. O documento com a posição do País está disponível no site http://diplomaciapublica.itamaraty.gov.br.

Acesse a tradução não oficial da Minuta Zero sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, disponibilizada pelo Centro RIO+.