ONU pede solução pacífica para confrontos separatistas em Mianmar

Em Mianmar, o estado de Rakhine — já conturbado devido às ondas de violência contra os muçulmanos rohingya — vive uma nova série de tensões, envolvendo separatistas armados e as forças nacionais de segurança, que se confrontaram em semanas recentes. A conjuntura preocupa o chefe humanitário da ONU no país, Knut Ostby, que alertou na quarta-feira (9) para um eventual aumento das hostilidades.

Uma criança se deita num abrigo no acampamento de Kyein Ni Pyin, na província de Rakhine, em Mianmar. Mais de 700 mil integrantes da comunidade rohingya foram forçados a abandonar seus lares devido à violência sistemática e generalizada contra essa população. Foto: UNICEF/Ruslana Sirman

Uma criança se deita num abrigo no acampamento de Kyein Ni Pyin, na província de Rakhine, em Mianmar. Mais de 700 mil integrantes da comunidade rohingya foram forçados a abandonar seus lares devido à violência sistemática e generalizada contra essa população. Foto: UNICEF/Ruslana Sirman

Em Mianmar, o estado de Rakhine — já conturbado devido às ondas de violência contra os muçulmanos rohingya — vive uma nova série de tensões, envolvendo separatistas armados e as forças nacionais de segurança, que se confrontaram em semanas recentes. A conjuntura preocupa o chefe humanitário da ONU no país, Knut Ostby, que alertou na quarta-feira (9) para um eventual aumento das hostilidades.

Em entrevista à ONU News, o dirigente reiterou seus apelos para que todos os lados “encontrem uma solução pacífica para a situação”. Segundo Ostby, um conflito maior entre as duas partes foi evitado até o momento, mas o oficial sênior das Nações Unidas mencionou a preocupação de “que poderia haver uma escalada bem imediata dos confrontos”.

Nas últimas semanas, cerca de 4,5 mil pessoas foram deslocadas em meio às ofensivas, de acordo com Ostby, que acrescentou que autoridades de Mianmar anunciaram a intenção de “esmagar” os insurgentes do chamado Exército de Arakan. Na última sexta-feira (4), um ataque a postos de polícia deixou 13 militares mortos.

Na avaliação do funcionário internacional, é vital melhorar o acesso humanitário, a fim de ajudar todos os afetados pelas confrontações. Ostby lembrou que, em Rakhine, a entrega de ajuda e o trânsito para comunidades em necessidade de apoio não melhorou desde 2017, quando cerca de 700 mil muçulmanos rohingya fugiram da violência para Bangladesh. O dirigente explicou que não há estruturas instaladas na região para lidar com mais um movimento em massa de pessoas.

“Estamos preocupados (com o fato) de que, se houver um novo grande deslocamento e uma nova grande necessidade de assistência humanitária, o acesso que temos não será suficiente para entregar a assistência necessária”, afirmou Ostby, explicando que as atuais hostilidades ameaçam afetar todos os grupos étnicos da província.

Estima-se que 600 mil rohingyas continuem vivendo em Rakhine.

“Eu acho que a situação, até onde sabemos, (ainda) não se desdobrou em um confronto maior, mas houve novos aumentos de tropas”, disse o dirigente.

Os casos mais recentes de violência acontecem num contexto mais amplo de conflitos esporádicos, mas às vezes intensos, entre grupos étnicos e as autoridades de Mianmar. Tensões têm mais de 70 anos em alguns casos, desde a independência do país, em 1948.

Embora um cessar-fogo tenha sido negociado nas áreas norte e leste de Mianmar, Ostby explicou que a trégua “não inclui o estado de Rakhine e é por isso que estamos preocupados (com o fato) de que haverá uma nova escalada, que poderia levar a mais sofrimento da população civil”.


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