ONU pede resposta urgente para ajudar milhares de iraquianos deslocados por avanços do ISIL

Nas últimas 48 horas, mais de 200 mil civis fugiram dos avanços do ISIL e ao menos 180 mil se dirigiram para a região do Curdistão. Outros 200 mil estão em áreas sitiadas pelo grupo.

Controle de entrada entre o Iraque e a região semi-autônoma do Curdistão, onde milhares de iraquianos fogem dos ataques do grupo armado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Foto: IRIN/Emma Beals

Controle de entrada entre o Iraque e a região semi-autônoma do Curdistão, onde milhares de iraquianos fogem dos ataques do grupo armado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Foto: IRIN/Emma Beals

Representantes das Nações Unidas se uniram nesta quinta-feira (07) para pedir um fim aos ataques do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) que continua a avançar e tomar o controle da região norte no país. A necessidade de ajuda humanitária no país é crescente, assim como a urgência de que líderes políticos deixem as divergências de lado e trabalhem juntos para encontrar uma solução viável para conter a crise, alertaram os funcionários da Organização.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou “estar profundamente consternado” com os relatos de ataques do grupo terrorista em Kirkuk e Qaragosh. Ele também condenou os ataques  em Tal Afar e no distrito de Sinjar, que afetaram principalmente as comunidades cristãs, turcomanas e yezidis.

A Missão de Assistência da ONU no Iraque (UNAMI) advertiu que nas últimas 48 horas, mais de 200 mil civis fugiram dos avanços do ISIL e ao menos 180 mil se dirigiram para a região do Curdistão, que já decretou não ter mais capacidade de atender a todos os necessitados, segundo advertiu o vice-representante especial da ONU para o Iraque, Gyorgy Busztin.

A este número se somam outros 200 mil deslocados, predominantemente civis da etnia Yezidi, que fugiram de Sinjar e Tal Afar quando o ISIL tomou o controle dessa área entre os dias 2 e 3 de agosto e se encontram agora em áreas sitiadas pelo grupo armado, onde muitas vezes são submetidos a sérias violações de direitos humanos, incluindo mortes, sequestros, conversões forçadas e assédios físicos e sexuais.

Iraque: Deslocamento na região do Sinjar. 04 Agosto de 2014. Crédito: OCHA

Iraque: Deslocamento na região do Sinjar. 04 Agosto de 2014. Crédito: OCHA

De acordo com a ONU, a vida dessas pessoas corre sério risco, já que elas se encontram há mais de cinco dias nestas localidades inacessíveis e sem possibilidade de receber ajuda básica e suprimentos de água, alimentos e medicinas. Para escapar da violência, outros milhares de iraquianos se acumulam na fronteira com a Turquia.

O secretário-geral da ONU pediu à comunidade internacional, “especialmente àqueles com influência e recursos para apoiar o governo e o povo do Iraque a fazer tudo o que for possível para aliviar o sofrimento de todos aqueles impactados pelo atual conflito no país.”

O Conselho de Segurança da ONU também condenou os ataques do ISIL e expressou a sua “profunda indignação” com as centenas de milhares de iraquianos deslocados e que precisam urgentemente de assistência humanitária.

O Conselho pediu que as entidades políticas do país superem suas divisões e que trabalhem juntos para fortalecer a unidade, a soberania e a independência nacional iraquiana e se comprometam “o mais rápido possível” com a formação de um governo que represente todos os segmentos da população e contribua para encontrar uma solução viável e duradoura para os desafios atuais do Iraque.