ONU pede respeito a cessar-fogo após episódio de violência na Somália

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Um novo episódio de violência na Somália deixou pelo menos três mortos e vários feridos na última sexta-feira (23), na cidade de Gaalkacyo. Município fica na fronteira entre os estados semiautônomos de Puntland e Galmudug, cujas forças armadas já entraram em guerra no passado. Em outubro, uma onda de hostilidades deslocou 90 mil pessoas.

Conflitos em outubro entre forças armadas dos estados e Puntland e Galmudug deslocaram 90 mil pessoas na Somália. Foto: OCHA / Guled Isse

Conflitos em outubro entre forças armadas dos estados e Puntland e Galmudug deslocaram 90 mil pessoas na Somália. Foto: OCHA / Guled Isse

Um novo episódio de violência na Somália deixou pelo menos três mortos e vários feridos na última sexta-feira (23), na cidade de Gaalkacyo. O incidente levou o enviado especial do secretário-geral da ONU para o país, Michael Keating, a pedir que grupos armados respeitem o acordo de cessar-fogo atualmente em vigor.

Segundo a Missão de Assistência das Nações Unidas na Somália (UNSOM), Gaalkacyo enfrenta uma crise humanitária difícil, sobretudo devido a bloqueios que impedem há três semanas a chegada da ajuda internacional. A seca na região deixou parte da população passando fome.

A cidade fica na fronteira entre os estados semiautônomos de Puntland e Galmudug, cujas forças armadas já entraram em guerra no passado. Segundo informações da imprensa, porções diferentes do município são controladas por milícias rivais.

“É inédito que suprimentos humanitários sejam bloqueados por qualquer um dos lados (do conflito), uma vez que, anteriormente, mesmo em meio a confrontos armados, ambos os lados permitiram que a ajuda humanitária passasse, em conformidade com o direito humanitário internacional”, afirmou o organismo da ONU.

A Missão também alertou que o impasse quanto à retirada dos bloqueios nas estradas, realizados pelas duas partes do conflito, é uma ameaça séria à suspensão das hostilidades. “Puntland e Galmudug têm que resolver suas diferenças de uma maneira não violenta e concordar imediatamente com medidas para acabar com os bloqueios, reabrir as estradas e bater em retirada com suas forças sem mais demora”, disse o comunicado do organismo.

Enfatizando que “qualquer ameaça contra a paz e estabilidade devem ser investidados”, a UNSOM ressaltou ainda que embates contínuos podem provocar uma nova onda de deslocamento em massa na cidade. Das cerca de 90 mil pessoas forçadas a deixar suas causas por conta de uma onda de conflitos que eclodiu em outubro desse ano, aproximadamente 30 mil ainda não retornaram por terem medo de outros confrontos.

“Embora parceiros humanitários continuem a responder às necessidades dos deslocados e das comunidades de acolhimento, todos os esforços (possíveis) devem ser feitos pelas partes implicadas para evitar outros deslocamento que agravaria o sofrimento humano”, acrescentou a Missão.


Comente

comentários