ONU pede recursos para apoiar mais de 93 milhões de pessoas no mundo em 2019

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Conflitos levaram dezenas de milhões de pessoas a situações em que necessitam urgentemente de ajuda, afirmou na terça-feira (4) o chefe humanitário da ONU, em um apelo por mais de 25 bilhões de dólares para apoiar projetos que podem salvar vidas em mais de 40 países no ano que vem.

Além do Iêmen, as necessidades de ajuda serão “excepcionalmente altas” em 2019 em Síria, República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Sudão do Sul.

Meninos iemenitas acomodam-se em colchões distribuídos pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em seus esforços de ajuda na cidade de Sirwah, no Iêmen. Mais de 2 milhões de iemenitas foram deslocados pela guerra civil iniciada em março de 2015. Foto: MDF/M. Hudair

Meninos iemenitas acomodam-se em colchões distribuídos pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em seus esforços de ajuda na cidade de Sirwah, no Iêmen. Mais de 2 milhões de iemenitas foram deslocados pela guerra civil iniciada em março de 2015. Foto: MDF/M. Hudair

Conflitos levaram dezenas de milhões de pessoas a situações em que necessitam urgentemente de ajuda, afirmou na terça-feira (4) o chefe humanitário da ONU, em um apelo por mais de 25 bilhões de dólares para apoiar projetos que podem salvar vidas em mais de 40 países no ano que vem.

Falando no lançamento de uma grande análise anual das necessidades humanitárias, Mark Lowcock afirmou que um total de 132 milhões de pessoas irá precisar de ajuda em 2019.

Desse total, ONU e organizações parceiras buscam apoiar 93,6 milhões de pessoas. Embora conflitos sejam a principal causa, riscos relacionados ao clima, como secas e tempestades tropicais, também são fatores significativos no número de pessoas vivendo em crises.

“Algo em torno de uma pessoa em 70 no mundo está inserida em uma crise e necessita urgentemente de ação humanitária ou proteção”, afirmou Lowcock. “Temos um número maior de pessoas deslocadas, principalmente por conflitos, quase 70 milhões”.

O Apelo Humanitário Global da ONU para 2019 corresponde a 21,9 bilhões de dólares e pode aumentar para 25 bilhões de dólares após as necessidades financeiras da Síria serem calculadas.

Em meados de novembro, doadores forneceram um recorde de 13,9 bilhões de dólares em fundos, representando cerca de 10% a mais em relação ao ano anterior, de acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Iêmen terá “o maior problema”

O conflito no Iêmen é uma das principais razões pelas quais o pedido para fundos no ano deve ser tão alto, em meio à violência em andamento entre forças do governo e a oposição houthi, que deixou ao menos 8 milhões de pessoas perto da fome.

Destacando o quase colapso da economia do Iêmen, que irá exigir apoio financeiro de longo prazo da comunidade internacional para recuperação, Lowcock alertou que, no ano que vem, três quartos da população do país – 24 milhões de pessoas – devem precisar de ajuda.

“O país com o maior problema em 2019 será o Iêmen”, disse, antes de insistir que os planos de resposta coordenada da ONU ajudam a comunidade humanitária a “entregar, mais e melhor” a milhões de pessoas.

No total, a ONU busca 4 bilhões de dólares para sua operação no Iêmen, disse Lowcock, acrescentando que “precisarão ser bilhões de dólares” em apoio adicional da comunidade internacional ao governo iemenita, à medida que as receitas de petróleo estão em queda de 85%.

“A não ser que recebam ajuda, os problemas associados à queda da moeda local vão acontecer novamente”, disse a autoridade da ONU, destacando a necessidade de atacar as raízes dos conflitos.

Além do Iêmen, necessidades serão “excepcionalmente altas” em Síria, República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Sudão do Sul, segundo Lowcock.

A cada mês em 2018, agentes humanitários alcançaram 8 milhões de iemenitas com assistência alimentar e 5,4 milhões de sírios com suprimentos, assistência médica e proteção, explicou Lowcock.

“Isto está acontecendo enquanto ameaças à segurança de agentes humanitários estão em crescimento”, destacou.

A insegurança de pessoas também piorou significativamente no Afeganistão por conta de seca, instabilidade política e fluxo de retorno de refugiados, de acordo com o Global Humanitarian Overview 2019, assim como em Camarões e na República Centro-Africana, devido a conflitos e violência.

Custo alto de riscos climáticos

Em referência ao alto custo humano causado pelos riscos climáticos, o chefe humanitário destacou que há uma chance de 80% de um fenômeno El Niño em 2019, que é ligado a eventos de climas extremos.

Embora o impacto não seja esperado para ser amplo como em 2016, possivelmente será um evento “significativo” e pode afetar 25 países com seca, ciclones tropicais e inundações, incluindo África do Sul, Malauí e Madagascar.

Em outra conclusão, o relatório do OCHA mostra que a resposta humanitária média da ONU agora dura mais de nove anos; em 2014, a média era 5,2 anos.

Neste ano, quase três quartos de pessoas recebendo assistência estão em países afetados por crises humanitárias há sete anos ou mais.

Em outra conclusão, o relatório do OCHA também destacou que insegurança alimentar aumentou nos anos recentes, após um longo período de melhorias.

Um crescente número de crises também se traduziu em desigualdade de gênero, de acordo com o relatório, com meninas em cenários de conflito tendo 2,5 vezes mais chances de deixar a escola do que meninos.


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