ONU pede que Sudão do Sul desenvolva plano para coibir violência intercomunitária que já matou 900

As Nações Unidas pediram hoje (25/06) que o Sudão do Sul desenvolva um plano abrangente para coibir a violência no Estado de Jonglei, que já levou a quase 900 mortes, incidentes de sequestros de mulheres e crianças, destruição de casas e o deslocamento de milhares de civis. Ao mesmo tempo, a ONU lança os resultados da investigação sobre os ataques intercomunitários na região entre 2011 e o início de 2012.

O relatório é uma compilação da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) com suporte do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e documenta crimes e violações dos direitos humanos durante o ciclo de ataques entre as comunidade de Murle e de Lou Nuer. Além disso, sugere nove recomendações para evitar futuros ciclos de violência, como a ativação de um Comitê de Investigação Governamental para a Crise do Estado de Jonglei.

“A falência do Governo em proteger os civis da violência, em investigar os incidentes e em responsabilizar os culpados deve ter contribuído para que o ciclo de ataques resultasse em números crescentes de vítimas e em atos de deliberada crueldade”, afirma o relatório. “Para encerrar o ciclo, é necessário que saibamos o que aconteceu e garantir que os culpados sejam responsabilizados. Isso é parte necessária do processo de paz abrangente”, disse a Representante Especial do Secretário-Geral para o Sudão do Sul e chefe da UNMISS, Hilde F. Johnson.

O relatório afirma que em dezembro de 2011 um grupo de jovens de 6 mil a 8 mil integrantes de Lou Nuer militarmente organizado lançou uma série de ataques sistemáticos durante 12 dias em áreas habitadas pela etnia Murle. Os ataques retaliatórios dos jovens Murle foram lançados em 27 de dezembro e duraram até 4 de fevereiro, atingindo Lou Nuer e Bor Dinka.