ONU pede que resposta ao HIV leve em conta particularidades das culturas indígenas

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Em pronunciamento feito no início de agosto, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alertou que os serviços de atendimento e cuidado relacionados à epidemia ainda não estão adaptados para integrar a visão de mundo, a linguagem, a cultura e as vulnerabilidades específicas dos povos indígenas. Organismo internacional fez um apelo por políticas de saúde pública com foco em direitos humanos e interculturalidade.

O programa Amazonaids mudou a comunicação com os indígenas para se adaptar às diferenças culturais. Foto: Cacalos Garrastazu/UNAIDS-Eder Content

Indígenas participam do projeto Amazonaids, o plano integrado da ONU de apoio à resposta à epidemia no Amazonas. Foto: UNAIDS/Cacalos Garrastazu

Em pronunciamento feito no início de agosto, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alertou que os serviços de atendimento e cuidado relacionados à epidemia ainda não estão adaptados para integrar a visão de mundo, a linguagem, a cultura e as vulnerabilidades específicas dos povos indígenas. Organismo internacional fez um apelo por políticas de saúde pública com foco em direitos humanos e interculturalidade.

“Os profissionais de saúde não estão sensibilizados e treinados para as necessidades e os direitos dessas populações. A isso, somam-se elementos de discriminação étnica, enraizados na cultura do continente, cujos efeitos negativos continuam a eclipsar as condições de vida dos povos indígenas”, afirmou o escritório regional da agência da ONU para a América Latina e o Caribe em mensagem para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, lembrado em 9 de agosto.

O UNAIDS lembrou os dez anos da adoção da Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas. O documento alavancou reconhecimento formal das populações originárias e de seus direitos, mas desafios persistem, na avaliação do organismo.

“Em face da realidade do impacto do HIV sobre os povos indígenas, UNAIDS reitera a necessidade urgente de fortalecer as respostas nacionais inclusivas ao HIV, a fim de reduzir as lacunas no acesso a testagem, tratamento e cuidados para povos indígenas”, disse o comunicado.

A agência das Nações Unidas enfatizou ainda a necessidade de garantir o acesso das populações indígenas a instâncias decisórias. “A participação dessas comunidades é fundamental para garantir que as realidades e as particularidades da diversidade indígena na região sejam abordadas em seu verdadeiro contexto”, acrescentou o UNAIDS.

O Programa lembrou iniciativas que apoia para adaptar serviços de saúde às especificidades das populações. “Por exemplo, no Chile, a Rede Nacional de Povos Indígenas (RENPO) está desenvolvendo oficinas de treinamento para xamãs indígenas sobre medicamentos antirretrovirais alopáticos para o HIV, sem esquecer a medicina tradicional”, disse o comunicado.

“Na Venezuela, uma iniciativa conjunta visa fortalecer a prevenção do HIV a partir da visão de mundo dos povos indígenas com o envolvimento de xamãs, comunidades e médicos. Desde 2008, no Brasil, com o apoio técnico do UNAIDS, o governo federal, os governos locais e outros atores estão trabalhando com o projeto Amazonaids na tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia para fortalecer a resposta ao HIV, incluindo ações para populações indígenas”, destacou a agência da ONU.


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