ONU pede que países não forcem repatriação de refugiados da República Centro-Africana

Segundo agência para refugiados, o país ainda não está preparado para receber as pessoas devido à extrema violência e abuso dos direitos humanos.

Refugiados da República Centro-Africana no acampamento de Worobe na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/F. Lejeune-Kaba

Refugiados da República Centro-Africana no acampamento de Worobe na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/F. Lejeune-Kaba

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) pediu na terça-feira (30) que os países que abrigam refugiados da República Centro-Africana (RCA) parem de tentar repatriá-los. Segundo a agência, o país não está em condições de receber as famílias por causa da constante violência e abuso dos direitos humanos.

“É importante que o asilo de natureza civil permaneça, e por este motivo estamos recomendando que os Estados tenham cautela para identificar combatentes e separá-los da população de refugiados”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards.

A situação na RCA piorou desde dezembro do ano passado, quando rebeldes pertencentes à facção Seleka lançaram uma série de ataques até conseguirem assumir o controle da capital, Bangui, no final de março.

Segundo o ACNUR, foram relatados assassinatos, prisões e detenções arbitrárias, tortura e recrutamento de crianças, bem como estupro, desaparecimentos e sequestros em todo o território. Por causa do conflito, já são quase 50 mil refugiados e 173 mil pessoas desabrigadas no país.

Em um comunicado à imprensa na segunda-feira (29), o Conselho de Segurança da ONU expressou preocupação com o agravamento da situação humanitária e de segurança, bem como com o enfraquecimento das instituições da RCA.

“Os membros do Conselho de Segurança estão preocupados com os relatos de violações e abusos dos direitos humanos. Eles enfatizaram que os responsáveis por violações e abusos do direito internacional humanitário e dos direitos humanos devem ser responsabilizados”, diz o comunicado.