ONU pede que países das Américas garantam qualificação de enfermeiros

Às vésperas do Dia Internacional da Enfermagem, 12 de maio, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) convocou países das Américas nesta semana a investir mais nas enfermeiras e enfermeiros, garantindo a sua disponibilidade e distribuição adequada pelos territórios nacionais.

Para a agência da ONU, a presença e a qualificação desses profissionais é fundamental para promover a cobertura universal de saúde, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Enfermeiras no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ministério da Saúde

Enfermeiras no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ministério da Saúde

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) convocou países das Américas nesta semana (8) a investir mais nas enfermeiras e enfermeiros, garantindo a sua disponibilidade e distribuição adequada pelos territórios nacionais. Para a agência da ONU, a presença e a qualificação desses profissionais é fundamental para promover a cobertura universal de saúde, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A OPAS lançou na quarta-feira a sua Orientação estratégica para enfermagem na região das Américas, relatório que apresenta recomendações sobre o tema, além de apresentar um panorama da enfermagem no continente americano. A publicação foi divulgada às vésperas do Dia Internacional da Enfermagem, comemorado no próximo 12 de maio.

O organismo internacional lembra que os enfermeiros e enfermeiras representam a maior força de trabalho em saúde no mundo, respondendo por mais de 50% dos trabalhadores da área. Nas Américas, existe um déficit atual de 800 mil profissionais de saúde para cobrir as necessidades de toda a população — essa lacuna, segundo a OPAS, inclui defasagens nas equipes de enfermagem.

A composição e a disponibilidade das equipes de enfermagem — que incluem enfermeiros licenciados, tecnólogos, técnicos e auxiliares — variam de país para país das Américas. Enquanto nos Estados Unidos e no Canadá, existem mais de 111 e 106 enfermeiros, respectivamente, para cada 10 mil habitantes, o índice cai para menos de quatro no Haiti, Honduras e República Dominicana.

Existem também discrepâncias no número de profissionais de enfermagem por médico. Nos Estados Unidos e no Canadá, existem quatro enfermeiros para cada médico. Mas nos outros 27 países analisados pela OPAS, há menos de dois e, em 15 dessas nações, menos de um.

De acordo com o relatório, evitar um déficit de enfermeiras e enfermeiros requer o desenvolvimento de estratégias nacionais para a formação de novos quadros, bem como políticas adequadas de retenção, investimento na força de trabalho e promoção da autonomia profissional.

“Somente com um número adequado de profissionais motivados e bem distribuídos, com habilidades técnicas e científicas, os países conseguirão cobertura e acesso universal à saúde, bem como atingir os ODS”, disse Silvia Cassiani, assessora regional de enfermagem e técnicos em saúde da OPAS.

A agência da ONU elencou uma série de entraves à disponibilidade de recursos humanos, como os enfermeiros, na área de saúde. Entre esses problemas, estão a mobilidade e a migração, a má distribuição da força de trabalho, a ausência de regulamentação, os incentivos insuficientes para o avanço profissional, a falta de acesso à educação superior e ambientes de trabalho inadequados.

Para lidar com a migração de profissionais de enfermagem, a pesquisa da OPAS considera necessário investir em estratégias de retenção de recursos humanos, particularmente em países de baixa renda e em pequenas nações insulares em desenvolvimento.

“Em muitas partes do mundo, os profissionais de enfermagem são o primeiro e, às vezes, único recurso humano em contato com os pacientes”, afirmou a chefe da OPAS, Carissa Etienne.

“Investir em enfermagem possibilita avançar para o acesso e a cobertura universal de saúde, o que terá um profundo efeito sobre a saúde e bem-estar globais.”

O relatório também recomenda expandir e regular o papel das enfermeiras e enfermeiros licenciados no primeiro nível de atenção. Com isso, seria possível melhorar o acesso e o atendimento em áreas com um número limitado de médicos.

A pesquisa defende ainda uma melhor distribuição de profissionais em áreas remotas e rurais. Outra recomendação é uma ampliação dos incentivos para a prática interprofissional e um aumento no número de programas de treinamento credenciados — na maioria dos países, há poucas escolas de enfermagem e programas de pós-graduação, avalia a OPAS.


Comente

comentários