ONU pede que Israel suspenda realocação forçada de refugiados africanos

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu na terça-feira (9) que o governo de Israel interrompa a realocação forçada de refugiados e requerentes de asilo da Eritreia e do Sudão que vivem no país para a África Subsariana.

O pedido foi feito depois da identificação de 80 casos de pessoas realocadas por Israel que arriscaram suas vidas em perigosas travessias para a Europa. “Sentindo não ter outra escolha, eles viajaram muitas centenas de quilômetros atravessando zonas de conflito no Sudão do Sul, no Sudão e na Líbia depois de terem sido realocados por Israel”, disse o porta-voz do ACNUR, William Spindler, a jornalistas em Genebra.

Refugiados somalis e eritreus lavam-se em centro de recepção em porto de Augusta, na Sicília, Itália. Eles foram resgatados no mar pela Guarda Costeira Espanhola após deixar a Líbia. Foto: ACNUR/Fabio Bucciarelli

Refugiados somalis e eritreus lavam-se em centro de recepção em porto de Augusta, na Sicília, Itália. Eles foram resgatados no mar pela Guarda Costeira Espanhola após deixar a Líbia. Foto: ACNUR/Fabio Bucciarelli

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu na terça-feira (9) que o governo de Israel interrompa a realocação forçada de refugiados e requerentes de asilo da Eritreia e do Sudão que vivem no país para a África Subsariana.

O pedido foi feito depois da identificação de 80 casos de pessoas realocadas por Israel que arriscaram suas vidas em perigosas travessias para a Europa.

“Sentindo não ter outra escolha, eles viajaram muitas centenas de quilômetros atravessando zonas de conflito no Sudão do Sul, no Sudão e na Líbia depois de terem sido realocados por Israel”, disse o porta-voz do ACNUR, William Spindler, a jornalistas em Genebra.

Segundo Spindler, os deslocados sofreram abusos, tortura e extorsão ao longo do caminho, antes de arriscarem suas vidas atravessando o Mediterrâneo até a Itália. Alguns relataram que outros que viajavam com eles morreram antes de chegarem à Líbia.

Funcionários do ACNUR entrevistaram refugiados em Roma entre novembro de 2015 e dezembro de 2017 em centros de acolhimento e assentamentos informais. Todos eram homens adultos, alguns com membros da família ainda em Israel, que entraram pelo Sinai.

A maioria afirmou ter sido transferida de Israel para um país na África e recebido 3,5 mil dólares.

“No entanto, a situação na chegada era diferente do que a maioria esperava — e com pouco apoio fornecido para além da acomodação na primeira noite. Eles disseram ter se sentido em perigo, já que se sabia que eles carregavam dinheiro”, acrescentou.

O ACNUR se mostrou preocupado com os planos de Israel, anunciados em 1º de janeiro, de realocar de maneira forçada eritreus e sudaneses para países da África ou detê-los indefinidamente.

As declarações oficiais israelenses de que famílias e pessoas com pedidos de asilo pendentes poderiam ser alvo das medidas, enquanto requerentes de asilo poderiam ser levados ao aeroporto algemados, também levantaram preocupações.

“Em um momento em que o ACNUR e parceiros da comunidade internacional estão engajados em evacuações de emergência da Líbia, a realocação forçada para países que não oferecem efetiva proteção e o contínuo movimento dessas pessoas para Líbia e Europa é particularmente preocupante”, disse Spindler.

Existem cerca de 27 mil eritreus e 7,7 mil sudaneses em Israel, no entanto, desde 2009, quando o país assumiu o controle da concessão de refúgio, apenas 10 eritreus e um sudanês foram reconhecidos como refugiados.

Enquanto 200 sudaneses de Darfur receberam status humanitário em Israel, juntamente com um anúncio de que mais 300 receberão, o país não recebeu nenhum eritreu ou sudanês desde maio de 2016.

“O ACNUR está pronto para trabalhar com Israel para encontrar soluções alternativas para as necessidades de proteção dos requerentes de asilo, de acordo com os padrões internacionais”, concluiu Spindler.


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