ONU pede que Israel pare com demolições na Cisjordânia; mais de 900 palestinos já foram removidos

Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), as autoridades israelenses demoliram em maio sete casas e confiscaram materiais de outras três, em ação que tem se repetido na região.

Das 49 pessoas desabrigadas na última ação, 22 eram crianças; desde o início de 2016, mais de 600 estruturas foram demolidas ou confiscadas em toda a Cisjordânia, ultrapassando o total de 2015.

Um menino na comunidade beduína de refugiados de Umm al Khair, nas colinas do sul de Hebron, onde demolições de casas em grande escala foram realizadas pelo governo de Israel. Foto: UNRWA

Um menino na comunidade beduína de refugiados de Umm al Khair, nas colinas do sul de Hebron, onde demolições de casas em grande escala foram realizadas pelo governo de Israel. Foto: UNRWA

O coordenador humanitário das Nações Unidas no território palestino ocupado, Robert Piper, condenou mais uma vez a demolição e o confisco de casas e meios de subsistência executados pelas autoridades israelenses na comunidade palestina de Jabal al Baba, na Cisjordânia.

De acordo com comunicado emitido pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), as autoridades israelenses demoliram, no dia 16 de maio, sete casas e confiscaram materiais de outras três. A ação desabrigou nove famílias palestinas, compreendendo um total de 49 pessoas, sendo 22 delas crianças.

“Apesar da obrigação de Israel, sob o direito internacional, de facilitar a passagem rápida e desimpedida de ajuda humanitária aos que necessitam, a assistência a comunidades vulneráveis, como a de Jabal al Baba, está cada vez mais na mira de ataques”, disse Robert Piper.

Os materiais eram parte de um pacote de ajuda humanitária às famílias palestinas beduínas e vulneráveis, fornecido pelo Fundo Humanitário Comum das Nações Unidas desde o início deste ano.

Segundo OCHA, Jabal al Baba, localizada a leste de Jerusalém, em uma área planejada para a expansão do assentamento Ma’ale Adumim – chamado plano “E1” – é uma das 46 comunidades no centro da Cisjordânia consideradas de alto risco de transferência forçada.

“A destruição de casas e de meios de subsistência cria pressões para que famílias se desloquem, agravando o risco de transferência forçada, que é considerado uma violação da Quarta Convenção de Genebra”, ressaltou o órgão em comunicado.

Desde o início de 2016, mais de 600 estruturas foram demolidas ou confiscadas em toda a Cisjordânia, ultrapassando o total de 2015, disse o OCHA. Com isso, mais de 900 pessoas foram deslocadas de suas casas e mais de 2.500 têm visto os seus meios de subsistência afetados.

“Mais uma vez, pedimos a Israel que respeite os direitos dessas comunidades vulneráveis e deixe essas famílias em paz”, disse Piper.