ONU pede que Grécia acelere processos de refúgio em meio à crise em abrigos

Um aumento do número de refugiados que chegam aos centros de recepção das ilhas gregas deve piorar a situação em instalações já “perigosamente superlotadas”, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta terça-feira (1).

Em um pedido para que os requerentes de refúgio sejam transferidos urgentemente para o continente pelo governo central de Atenas, o ACNUR informou que as chegadas por mar em setembro subiram para mais de 10 mil — o nível mensal mais alto desde 2016.

O comunicado foi publicado após um incêndio no domingo (29) em um contêiner que servia de abrigo no centro de recepção Moria, em Lesbos, no qual uma mulher morreu, provocando protestos violentos.

Família síria de Idlib chegou recentemente a Lesbos, na Grécia, abrigando-se em um olival localizado perto do centro de recepção de Moria, em 23 de setembro de 2019. Foto: ACNUR/Gordon Welters

Família síria de Idlib chegou recentemente a Lesbos, na Grécia, abrigando-se em um olival localizado perto do centro de recepção de Moria, em 23 de setembro de 2019. Foto: ACNUR/Gordon Welters

Um aumento do número de refugiados que chegam aos centros de recepção das ilhas gregas deve piorar a situação em instalações já “perigosamente superlotadas”, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta terça-feira (1).

Em um pedido para que os requerentes de refúgio sejam transferidos urgentemente para o continente pelo governo central de Atenas, o ACNUR informou que as chegadas por mar em setembro subiram para mais de 10 mil — o nível mensal mais alto desde 2016.

O comunicado foi publicado após um incêndio no domingo (29) em um contêiner que servia de abrigo no centro de recepção Moria, em Lesbos, no qual uma mulher morreu, provocando protestos violentos.

“Esse aumento agravou as condições já extremamente difíceis nos centros de acolhimento das ilhas gregas, e é por isso que estamos enfatizando que é tão importante que sejam tomadas medidas urgentes agora para levar pessoas para o continente”, disse a a porta-voz do ACNUR Liz Throssell, em Genebra.

Segundo a agência da ONU, existem mais de 4.400 crianças desacompanhadas nas ilhas, de pelo menos 30.000 pessoas que procuram abrigo no total.

Desse número, 500 jovens também foram alojados com adultos que não eram seus parentes em uma grande tenda em estilo de armazém, disse o ACNUR, descrevendo a situação em Lesbos, Samos e Kos como “crítica”.

Destacando a necessidade de “medidas urgentes” das autoridades gregas, Throssell apelou a elas para que acelerem a transferência de mais de 5.000 solicitantes que já têm permissão para continuar seu processo de refúgio no continente.

Em Lesbos, o centro oficial de recepção em Moria está operando com um número de pessoas cinco vezes maior à sua capacidade (12.600), disse a agência, enquanto em um assentamento informal próximo, mais de 100 pessoas compartilham um único banheiro.

Em Samos, a instalação de Vathy abriga 5.500 pessoas — oito vezes sua capacidade — e em Kos, cerca de 3.000 pessoas vivem em um espaço destinado a apenas 700.

A maioria dos que procuram abrigo é de Afeganistão e Síria, além de Iraque e República Democrática do Congo, disse o ACNUR.

Comentários anteriores do governo grego sobre o desejo de aliviar a pressão sobre as ilhas e proteger crianças desacompanhadas são bem-vindos, informou a agência em comunicado.

Segundo o ACNUR, a Grécia recebeu 45.600 das 77.400 pessoas que cruzam o Mar Mediterrâneo este ano — mais do que Espanha, Itália, Malta e Chipre juntos.

Enquanto isso, pelo sexto ano consecutivo, acredita-se que 1.000 pessoas tenham se afogado nas travessias do Mar Mediterrâneo, informou nesta terça-feira (1) a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Citando uma recente onda de naufrágios ao longo das principais rotas migratórias para a Europa, a agência destacou um incidente na costa marroquina no fim de semana em que cerca de 40 migrantes se afogaram.

Nos últimos seis anos, pelo menos 15.000 homens, mulheres e crianças perderam a vida tentando chegar à Europa de barco — uma situação que a agência da ONU comparou com uma “carnificina no mar”.

Segundo dados da OIM, a travessia marítima mais mortal é a rota central do Mediterrâneo do norte da África para a Itália, com 659 vidas de migrantes ou refugiados perdidas até agora este ano.

Outros 270 morreram tentando chegar à Espanha do norte da África, enquanto 66 vítimas foram registradas nas águas entre Turquia, Síria e Grécia.