ONU pede que governo venezuelano suspenda uso excessivo da força contra cidadãos

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse no domingo (24) estar chocado e triste com a morte de civis na Venezuela em meio à escalada de tensões registrada no sábado em vários pontos da fronteira com a Colômbia e o Brasil e também dentro do território venezuelano.

A chefe de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, condenou o uso excessivo da força por oficiais de segurança venezuelanos. Segundo o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas (ACNUDH), a resposta violenta levou a pelo menos quatro mortes confirmadas e a mais de 300 casos de pessoas feridas na sexta-feira e no sábado.

Refugiados e migrantes venezuelanos cruzam a ponte Simon Bolívar, um dos sete pontos de entrada legal ao longo da fronteira entre Venezuela e Colômbia. Foto: ACNUR/Siegfried Modola

Refugiados e migrantes venezuelanos cruzam a ponte Simon Bolívar, um dos sete pontos de entrada legal ao longo da fronteira entre Venezuela e Colômbia. Foto: ACNUR/Siegfried Modola

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse no domingo (24) estar chocado e triste com a morte de civis na Venezuela em meio à escalada de tensões registrada no sábado em vários pontos da fronteira com a Colômbia e o Brasil e também dentro do território venezuelano. O chefe da ONU pediu que a violência “seja evitada a qualquer custo e que a força letal não seja usada em nenhuma circunstância”.

Guterres solicitou ainda que “todos os atores diminuam as tensões e busquem todo esforço para prevenir uma nova escalada”.

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, condenou “o uso excessivo da força pelas forças de segurança venezuelanas, assim como o envolvimento de grupos pró-governo”. Segundo o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas (ACNUDH), a resposta violenta levou a pelo menos quatro mortes confirmadas e a mais de 300 casos de pessoas feridas na sexta-feira e no sábado.

“Pessoas levaram tiros e foram mortas, outras teriam sofrido ferimentos dos quais nunca vão se recuperar completamente, incluindo a perda dos olhos”, lamentou Michelle.

“Essas são cenas vergonhosas. O governo venezuelano precisa impedir as suas forças de usar força excessiva contra manifestantes desarmados e cidadãos comuns.”

A alta-comissária disse que recebeu relatos numerosos de vários episódios de violência, alguns deles prolongados, em diferentes pontos da divisa com a Colômbia e o Brasil, conforme as forças de segurança venezuelanas tentaram impedir que suprimentos humanitários entrassem no país por partes da fronteira que estavam fechadas.

O ACNUDH também recebeu vários relatos que apontam o envolvimento de grupos armados pró-governo nos ataques violentos contra os manifestantes. Michelle instou o governo venezuelano “a controlar esses grupos e a prender os que, dentre eles, usaram força contra os manifestantes”.

“O uso de ‘forças terceirizadas’ tem um histórico longo e sinistro na região”, acrescentou a alta-comissária. “E é muito alarmante vê-las operar abertamente dessa forma na Venezuela. O governo pode e deve impedi-las de exacerbar uma situação já altamente inflamável.”


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