ONU pede que governo do Sudão do Sul coloque fim à violência contra mulheres e meninas

De acordo com o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, uma investigação preliminar das Nações Unidas sobre os combates recentes no país revelou que, pelo menos, 217 casos de violência sexual foram documentados na capital, Juba, entre 8 e 25 de julho.

Representante especial do secretário-geral das Nações Unidas sobre a violência sexual, Zainab Hawa Bangura, em Juba, no Sudão do Sul. Foto: UNMISS

Representante especial do secretário-geral das Nações Unidas sobre a violência sexual, Zainab Hawa Bangura, em Juba, no Sudão do Sul. Foto: UNMISS

Em meio aos recentes conflitos no Sudão do Sul, a representante especial do secretário-geral das Nações Unidas sobre a violência sexual, Zainab Hawa Bangura, pediu na segunda-feira (8) que o governo sul-sudanês tome todas as medidas necessárias para pôr fim à violência contra as mulheres e meninas no país, bem como para trazer os responsáveis desses crimes à justiça.

De acordo com o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, uma investigação preliminar das Nações Unidas sobre os combates recentes no país revelou que pelo menos 217 casos de violência sexual foram documentados em Juba, capital do Sudão do Sul, entre 8 e 25 de julho.

Segundo Bangura, é inadmissível que essas violências sexuais ainda ocorram depois de várias rodadas de negociações com o presidente do país, Salva Kiir, e com o vice-presidente, Riek Machar, bem como após ambos os líderes se comprometerem, em 2014, a acabar com esse tipo de crime.

“Eu sou africana e vi como essas mulheres sofreram. Elas sofreram devido a uma guerra civil prolongada. Depois, comemoraram, pela primeira vez, quando o país alcançou a independência, e em seguida viram suas esperanças e expectativas despedaçadas”, disse, referindo-se à guerra civil em que o país mergulhou logo após se tornar independente.

Bangura expressou ainda sua profunda simpatia com civis, reafirmando que as autoridades devem empreender todas as ações necessárias para pôr fim a esse sofrimento.

“A primeira obrigação de qualquer governo é proteger seus próprios cidadãos; as crianças não podem ir à escola; as pessoas não podem ir ao trabalho; as mulheres não podem obter água – elas não podem fazer nada sem paz”, declarou.

“Se vocês não conseguem proteger o seu próprio povo, na verdade, vocês estão convidando a comunidade internacional a fazer isso”, continuou, sublinhando que as Nações Unidas vão fazer todo o possível para garantir que as vítimas de estupro recebam tratamento adequado, assistência e apoio.

“Nós vamos atrás desses criminosos, onde quer que eles estejam”, concluiu.