ONU pede que G77 e China unam esforços contra pobreza e mudanças climáticas

Como resultado da Cúpula, um documento for produzido para a Assembleia Geral da ONU para promover discussões sobre uma nova agenda de desenvolvimento sustentável, que entrará em vigor a partir de 2015.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante sua intervenção na Cúpula do G77+China, em Santa Cruz, Bolívia. Foto: ONU/Evan Schneider

No encerramento da Cúpula do Grupo dos 77+China, no último domingo (15), o secretário-geral da ONU sublinhou a importância da cooperação e parcerias para reduzir a desigualdade, erradicar a pobreza e lutar contra a mudança climática.

O G77, que marca o seu 50º aniversário este ano, foi criado em 1964 por 77 Estados-membros para promover os interesses econômicos dos seus países. O grupo inclui agora mais de 130 países, cerca de dois terços dos membros das Nações Unidas, e mais de 60% da população do mundo.

“Como o maior grupo de países das Nações Unidas, vocês desempenham um papel fundamental para garantir um resultado positivo para os esforços da ONU em formular e implementar eficazmente a agenda de desenvolvimento pós-2015”, disse Ban Ki-moon aos participantes em Santa Cruz, na Bolívia.

Como resultado da Cúpula, um documento foi produzido para a Assembleia Geral da ONU, com o objetivo de promover discussões sobre uma nova agenda de desenvolvimento sustentável, que entrará em vigor a partir de 2015.

“Vamos continuar a acelerar os nossos esforços, mas temos de ser muito práticos”, disse Ban Ki-moon, lembrando que restam cerca de 440 dias para acelerar os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo prazo estabelecido foi o ano de 2015. Algumas metas talvez não poderão ser cumpridas, e terão de ser incluídas no próximo conjunto de metas de desenvolvimento que serão oficialmente decididas no próximo ano.

“Temos que aproveitar o poder das parcerias em toda a gama de atividades de desenvolvimento”, disse o chefe da ONU. “Também devemos colocar em prática um marco de responsabilidade robusto, respaldado por dados confiáveis e comparáveis, para apoiar a nossa agenda sustentável universal.”

Para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, Ban Ki-moon disse que as potências econômicas tradicionais terão de desempenhar o seu papel de modo a alcançar igualdade de desenvolvimento, através de um comércio global mais justo, transferência de tecnologia e incorporação de países em desenvolvimento na maquinaria econômica do mundo, ressaltando que “formas inovadoras de cooperação desempenharão um papel importante e crescente”.

O chefe da ONU destacou que os novos objetivos de desenvolvimento também devem equilibrar as necessidades das pessoas e do planeta. Ban pediu aos representantes dos Estados e governos de mais de 130 países para agir contra as alterações climáticas e o uso insustentável dos recursos naturais.

O atual presidente da Assembleia Geral da ONU, John Ashe, destacou na Cúpula a importância de sociedades estáveis e pacíficas para sustentar o desenvolvimento. “Conflitos, onde quer que existam, são um impedimento para o desenvolvimento”, disse Ashe.

Ele observou que a resolução de conflitos por meio do diálogo e da compreensão mútua entre os países anteriormente afetados permitirá que os governos redirecionem seus esforços e recursos para o desenvolvimento e a erradicação da pobreza. “A cooperação, em particular ao nível regional, será crucial, especialmente nas áreas socioeconômicas.”

Entre outras prioridades, Ban Ki-moon, que também destacou a importância da harmonia em desenvolvimento, destacou a necessidade de aderir aos direitos humanos, à boa governança e ao Estado de Direito para alcançar o desenvolvimento sustentável.

“É por isso que é essencial que os membros do G77+China apoiam-se mutuamente – inclusive por meio de instituições regionais eficazes – para sempre respeitar a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.