ONU pede moderação após aumento da violência no norte de Mianmar

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O braço de direitos humanos das Nações Unidas manifestou profunda preocupação com a escalada do conflito entre os grupos militares e armados nas províncias de Kachin e Shan, em Mianmar, que desalojou mais de 100 mil civis e deixou muitos presos em meio aos conflitos.

Um assentamento na província de Kachin, em Mianmar. Foto: OCHA

Um assentamento na província de Kachin, em Mianmar. Foto: OCHA

O braço de direitos humanos das Nações Unidas manifestou profunda preocupação com a escalada do conflito entre os grupos militares e armados nas províncias de Kachin e Shan, em Mianmar, que desalojou mais de 100 mil civis e deixou muitos presos em meio aos conflitos.

“O prolongado conflito nos estados de Kachin e do norte de Shan já causou imenso sofrimento e instamos todos os lados a trabalhar para resolver a situação através de um diálogo genuíno e significativo”, disse Rupert Colville, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), a repórteres em Genebra na semana passada (15).

No dia 12 de maio, pelo menos 14 civis teriam sido mortos e mais de 20 feridos em ataques de grupos armados, junto com uma contraofensiva de tropas do governo na província de Shan. Também há relatos de que militares de Mianmar, conhecidos como Tatmadaw, usaram armas pesadas e bombardeios aéreos na região.

Além disso, pelo menos 7.400 pessoas foram deslocadas em Kachin desde o início de abril, aumentando para 100 mil os já deslocados. Cerca de 2 mil desses civis, que tentavam fugir dos combates, ficaram presos na densa selva, antes de serem relocados para outras cidades da província.

“Muitos outros permanecem presos em áreas de combate, com rotas de fuga extremamente difíceis através de montanhas e florestas, e precisam de apoio humanitário”, disse Colville.

“Pedimos a todos os lados que exerçam contenção e respeitem plenamente os direitos humanos e o direito internacional humanitário, garantindo a proteção dos civis em todos os momentos”, acrescentou ele.

Na coletiva de imprensa, o porta-voz do ACNUDH também chamou a atenção para relatos de que manifestantes pacíficos pedindo o fim das hostilidades haviam sido presos em Kachin.

“Pedimos às autoridades em Mianmar que respeitem o direito à reunião pacífica e à liberdade de expressão”, disse Colville.

A escalada do conflito nas províncias de Kachin e Shan, no norte de Mianmar, ocorre poucos meses após a violência generalizada contra a comunidade minoritária muçulmana rohingya, na província de Rakhine, levando mais de 700 mil civis para a fronteira com o sul de Bangladesh, em acampamentos superlotados, enfrentando o início da temporada de monções.


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