ONU pede mais esforços na África para prevenir infecções de HIV entre crianças e adolescentes

Em evento com ministros e autoridades de saúde, agências da ONU pediram neste mês (16), no Senegal, que países das regiões central e ocidental da África realizem mais ações para impedir novos casos de HIV entre crianças e adolescentes. Em 2017, em torno de 67 mil crianças (com até nove anos de idade) e 69 mil adolescentes (de dez a 19 anos) foram infectados pelo vírus nessas partes do continente africano.

Em Kenema, Serra Leoa, um menino joga futebol em uma ONG apoiada pelo UNICEF que presta serviços para crianças vivendo com HIV e AIDS. Foto: UICEF/Phelps

Em Kenema, Serra Leoa, um menino joga futebol em uma ONG apoiada pelo UNICEF que presta serviços para crianças vivendo com HIV e AIDS. Foto: UICEF/Phelps

Em evento com ministros e autoridades de saúde, agências da ONU pediram neste mês (16), no Senegal, que países das regiões central e ocidental da África realizem mais ações para impedir novos casos de HIV entre crianças e adolescentes. Em 2017, em torno de 67 mil crianças (com até nove anos de idade) e 69 mil adolescentes (de dez a 19 anos) foram infectados pelo vírus nessas partes do continente africano.

“A maioria das crianças que vivem com HIV nesta região não está recebendo cuidados e tratamento porque não sabe que vivem com HIV, já que não foram testadas”, afirmou a diretora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na África Ocidental e Central, Marie-Pierre Poirier, durante a reunião em Dacar.

Em 2017, estimava-se que, nessas duas porções do continente, 800 mil jovens viviam com HIV — de recém-nascidos até adolescentes com 19 anos. O número é o segundo maior em todo o mundo, ficando atrás apenas das regiões sul e leste da África.

Menos da metade de todas as mulheres grávidas vivendo com HIV na África Ocidental e Central (47%) tiveram acesso a medicamentos para prevenir a transmissão do vírus para os seus filhos. Apenas 21% das crianças expostas ao HIV foram testadas nos primeiros dois meses de vida.

“Podemos reverter essa tendência se nos concentrarmos em uma abordagem centrada na família para testagem e tratamento do HIV e usarmos tecnologias inovadoras nos postos de atendimentos que aproximem os testes das unidades básicas de saúde e das comunidades onde as crianças vivem”, acrescentou Poirier sobre a necessidade de tornar acessíveis os exames diagnósticos.

Embora a cobertura de terapia antirretroviral tenha aumentado entre crianças, subindo de 18% em 2014 para 26% em 2017, o oeste e o centro da África ainda têm o índice mais baixo do mundo. Em torno de 52 mil crianças e adolescentes com até 19 anos de idade morreram de doenças relacionadas à AIDS em 2017. Desses óbitos, 34 mil eram de meninos e meninas que faleceram antes de completar cinco anos.

Alguns países tiveram progressos na prevenção de novas infecções por HIV entre crianças. De 2010 a 2017, 11 países registraram uma redução das novas ocorrências de mais de 35%. É o caso do Benim, Burkina Faso, Burundi, Camarões, Cabo Verde, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Libéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. Mas outras nações — incluindo a Nigéria, que tem a maior epidemia na África Ocidental e Central — não tiveram nenhum tipo de declínio.

“Questões estruturais, incluindo a falta de investimento doméstico, sistemas de saúde frágeis, cobranças por usuário, desigualdade de gênero e estigma e discriminação generalizados devem ser urgentemente resolvidas para remover barreiras e salvar vidas”, disse o diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, também presente no encontro no Senegal.

Na Declaração Política de 2016 da ONU sobre o Fim da AIDS, os países da África Ocidental e Central comprometeram-se a reduzir o número de novas infecções por HIV entre crianças e adolescentes (com menos de 15 anos) para 6 mil casos até 2020. Nações também concordaram em garantir o acesso ao tratamento para 340 mil crianças e adolescentes até 2020. As promessas, porém, não foram acompanhados por um aumento do financiamento. Em 2017, os recursos totais necessários para uma resposta eficaz ao HIV na região foram 81% maiores do que os fundos disponíveis.

“Não devemos perder mais do futuro da África para a AIDS”, ressaltou o diretor da OMS para o continente, Matshidiso Moeti.

“O enfrentamento efetivo ao HIV em crianças e adolescentes precisa de serviços de saúde fortes e de qualidade. Ao firmar o compromisso com a cobertura universal de saúde, os países podem acelerar o progresso rumo a uma geração livre da AIDS na África Ocidental e Central.”

Segundo o UNAIDS, transformar compromissos em ação requer engajamento de líderes políticos e comunitários, a fim de ampliar drasticamente os investimentos e o uso de tecnologias inovadoras. Entre essas estratégias, estão a criação de postos de atendimento para o diagnóstico precoce de bebês, testes familiares e receitas com prazos maiores para a aquisição de medicamentos antirretrovirais.

O UNAIDS, UNICEF e OMS convocaram uma reunião de alto nível no Senegal para discutir a eliminação da transmissão vertical do HIV — de mãe para filho. Promovido do dia 16 a 18 de janeiro, o encontro também debateu meios para garantir a universalização da testagem e do tratamento pediátrico do HIV na África Ocidental e Central. A assembleia reuniu ministros da saúde, especialistas e integrantes da sociedade civil, bem como representantes de alto nível das Nações Unidas, da União Africana e das Comunidades Econômicas dos Estados das duas regiões.