ONU pede mais apoio internacional a processo de paz no Sudão do Sul

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O representante especial das Nações Unidas para o Sudão do Sul, David Shearer, criticou na terça-feira (26) o desinteresse dos grupos em conflito no país pelo acordo de paz de 2015. Tratado pelo fim das hostilidades prevê um período de transição, que será concluído em poucos meses — e sem avanços significativos. Na nação africana, confrontos armados são responsáveis por deixar 7,6 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária.

Ondas recentes de violência levaram cerca de 17 mil pessoas a buscar abrigo no Centro de Proteção de Civis da ONU em Wau, no Sudão do Sul. Foto: ONU/Nektarios Markogiannis

Ondas recentes de violência levaram cerca de 17 mil pessoas a buscar abrigo no Centro de Proteção de Civis da ONU em Wau, no Sudão do Sul. Foto: ONU/Nektarios Markogiannis

O representante especial das Nações Unidas para o Sudão do Sul, David Shearer, criticou na terça-feira (26) o desinteresse dos grupos em conflito no país pelo acordo de paz de 2015. Tratado pelo fim das hostilidades prevê um período de transição, que será concluído em poucos meses — e sem avanços significativos. Na nação africana, confrontos armados são responsáveis por deixar 7,6 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária.

“As partes mostraram pouco interesse em se engajar em negociações sérias sobre o rumo a ser tomado, apesar de várias iniciativas voltadas para encontrar uma solução política para o conflito”, alertou Shearer em pronunciamento no Conselho de Segurança da ONU.

Ao longo da metade desse ano, o número de indivíduos deslocados pela violência subiu para quase 4 milhões — dos quais 2 milhões deixaram o Sudão do Sul para chegar a Uganda, Sudão, Etiópia, Quênia e República Democrática do Congo.

A conjuntura interna tem dificultado o trabalho de agências humanitárias. Algumas regiões estão inacessíveis por conta das contínuas operações do governo contra entidades armadas de oposição.

A dispersão e fragmentação das forças de oposição também geraram consequências negativas para organismos internacionais. Shearer lembrou que os comboios regulares do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para a localidade de Yambio precisam de 13 autorizações distintas de grupos armados no meio do caminho.

Como a aproximação do final do período de transição, o representante especial cobrou mais apoio externo ao processo de paz. Segundo o dirigente, a comunidade internacional precisa mostrar uma unidade de propósito, a fim de garantir a implementação dos acordos e a realização de eleições credíveis.

Shearer defendeu a mediação política — por meio do fórum de revitalização da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) — como a estratégia central de resolução de conflito. A IGAD é composta pela Eritreia, Etiópia, Quênia, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Uganda e Djibuti.


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