ONU pede investigação após relatos de violência e mortes em protestos na Venezuela

Relatos de violência e mortes ligados a protestos na Venezuela devem ser investigados de forma transparente e independente, disse nesta quinta-feira (24) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pedindo calma.

Em comunicado emitido por seu porta-voz, o chefe da ONU pediu para todas as partes “diminuírem as tensões” no país, dilacerado por crise econômica e política, após confrontos mortais em Caracas entre forças de segurança e milhares de manifestantes opostos ao governo do presidente Nicolás Maduro.

A União Europeia e a Cruz Vermelha apoiam milhares de migrantes venezuelanos por toda a América Latina. À noite, mulheres e crianças são abrigadas em tendas, próximas a centros de saúde. Autoridades colombianas dão a elas prioridade no processo de emissão de documentos. Foto: União Europeia/N. Mazars

A União Europeia e a Cruz Vermelha apoiam milhares de migrantes venezuelanos por toda a América Latina. À noite, mulheres e crianças são abrigadas em tendas, próximas a centros de saúde. Autoridades colombianas dão a elas prioridade no processo de emissão de documentos. Foto: União Europeia/N. Mazars

Relatos de violência e mortes ligados a protestos na Venezuela devem ser investigados de forma transparente e independente, disse nesta quinta-feira (24) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pedindo calma.

Em comunicado emitido por seu porta-voz, o chefe da ONU pediu para todas as partes “diminuírem as tensões” no país, dilacerado por crise econômica e política, após confrontos mortais em Caracas entre forças de segurança e milhares de manifestantes opostos ao governo do presidente Nicolás Maduro.

“O secretário-geral está preocupado com relatos de mortes no contexto de manifestações e agitações na Venezuela e pede uma investigação transparente e independente sobre estes incidentes”, disse Stéphane Dujarric.

Neste momento “crítico”, Guterres “pede para todas as partes diminuírem as tensões e buscarem todos os esforços para prevenir a violência e evitar qualquer agravamento”, acrescentou o porta-voz.

O comunicado foi emitido depois de o líder da oposição Juan Guaidó declarar-se na quarta-feira (23) presidente interino do país até que novas eleições sejam realizadas. Maduro foi oficialmente empossado em seu segundo mandato, após eleições repletas de controvérsias, há somente duas semanas.

Emitido do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde Guterres discursou, o comunicado destacou “a necessidade urgente de todas as partes relevantes se comprometerem com diálogos políticos inclusivos e confiáveis para responder à prolongada crise no país, com total respeito ao Estado de Direito e aos direitos humanos”.

Falando durante evento transmitido ao vivo pelo Facebook em Davos, o chefe da ONU não comentou a decisão de alguns governos reconhecerem oficialmente a reivindicação de Guaidó à presidência, dizendo somente que todos os governos soberanos são encarregados de suas próprias decisões, mas expressou preocupação com o “sofrimento do povo venezuelano”.

“Tantos deixaram o país, com dificuldades econômicas que todos enfrentam e com a polarização política”, disse. “O que esperamos é que diálogo seja possível e que evitemos um agravamento que leve ao tipo de conflito que será um desastre total à Venezuela, ao povo venezuelano e à região”.

O chefe da ONU disse durante entrevista que “se diálogo não for possível, então, o que estamos fazendo? Em todas as circunstâncias no mundo – mesmo nas circunstâncias mais difíceis – precisamos buscar diálogo”.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), 3 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos por falta de alimentos, remédios e perda de meios de subsistência.

Além da crise humanitária, graves abusos de direitos humanos foram relatados pela ONU, incluindo assassinatos, uso excessivo de força contra manifestantes, detenções arbitrárias e torturas.

Em relatório publicado em junho do ano passado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) documentou “relatos confiáveis e chocantes de assassinatos extrajudiciais” durante operações realizadas entre 2015 e 2017.


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