ONU pede fim de hostilidades em Gaza para evitar nova guerra

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Ao longo dos últimos 30 dias, militantes do Hamas e outras entidades dispararam 283 foguetes contra território israelense. Israel lançou 189 mísseis no enclave, onde nove palestinos, incluindo sete crianças, foram mortos pelas Forças de Defesa Israelenses (IDF). Os números foram divulgados na terça-feira (24), no Conselho de Segurança, pelo enviado especial da ONU, Nickolay Mladenov.

Jovem palestina no bairro de Shejaiya, na Cidade de Gaza. Foto: UNICEF

Jovem palestina no bairro de Shejaiya, na Cidade de Gaza. Foto: UNICEF

Ao longo dos últimos 30 dias, militantes do Hamas e outras entidades dispararam 283 foguetes contra território israelense. Israel lançou 189 mísseis no enclave, onde nove palestinos, incluindo sete crianças, foram mortos pelas Forças de Defesa Israelenses (IDF). Os números foram divulgados na terça-feira (24), no Conselho de Segurança, pelo enviado especial da ONU, Nickolay Mladenov.

Em Gaza, mais de mil pessoas ficaram feridas por conta de operações das autoridades israelenses para responder a protestos e confrontos. Israel também realizou ataques aéreos contra a Faixa. Um soldado israelense foi morto a tiro. Outro oficial e mais quatro civis, também israelenses, foram moderadamente feridos.

Segundo Mladenov, os números da violência e os incidentes entre os dois lados do conflito marcam uma das piores crises desde a guerra de 2014. “No último sábado, estávamos a minutos de mais um confronto devastador entre Israel e o Hamas em Gaza”, afirmou.

“Em um período de apenas 24 horas, de 14 para 15 de julho, militantes dispararam cerca de 220 foguetes e morteiros de Gaza em direção a Israel. Um foguete atingiu diretamente uma casa e feriu quatro pessoas. Outros aterrissaram no piso de uma sinagoga e próximo a um parque para crianças em Sderot. A IDF disparou 90 mísseis e granadas de artilharia na direção do que disse ser alvos militares, ferindo pelo menos 25 palestinos e matando dois adolescentes no centro altamente povoado da Cidade de Gaza”, acrescentou o enviado.

De acordo com o comissário, Israel também destruiu um túnel que conectava Gaza ao país. Uma operação semelhante foi conduzida pelo Egito, que eliminou uma passagem entre o enclave palestino e o Sinai.

Gaza: serviços essenciais estão prestes a ser interrompidos devido à falta de combustível

Na Cisjordânia ocupada, lembrou o enviado da ONU, um adolescente palestino foi morto pela IDF durante uma incursão de busca e apreensão. Outros 25 palestinos e três soldados israelenses ficaram feridos em diferentes ocorrências no decorrer do último mês.

Mladenov conversou com facções palestinas na semana passada (15) e pediu o fim de incidentes ao longo da cerca de Gaza, bem como a suspensão do disparo de foguetes e do uso de pipas e balões incendiários. Em diálogo com as autoridades israelenses, o dirigente cobrou a reabertura de pontos de passagem na fronteira, fechados neste mês (16) por decisão de Israel, amplamente criticada por deixar o enclave sem combustível e outros suprimentos. O enviado solicitou ainda a interrupção dos bombardeios israelenses, sobretudo em áreas povoadas.

Bloqueio agrava crise humanitária em Gaza

Em pronunciamento na véspera, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, expressou “preocupações agudas” com a escalada de violência. “Lembro todas as partes de que qualquer uso desproporcional ou indiscriminado de armamento, que leve à morte ou ferimento de civis, é proibido pelo direito internacional humanitário”, afirmou o dirigente em reunião do Comitê sobre o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino.

Embora a ONU e o Egito tenham empreendido esforços diplomáticos para manter um cessar-fogo entre Israel e Gaza, Al Hussein ressaltou que a conjuntura continua seriamente frágil.

Os confrontos se somam à “extrema crise humanitária” vivida pelos palestinos em Gaza, disse ainda o alto-comissário. Em sua avaliação, as precárias condições de vida no enclave — que incluem desemprego e pobreza em ascensão e dependência de doações alimentícias — tendem a piorar, principalmente por causa dos cortes orçamentários enfrentados pela Agência da ONU para Refugiados da Palestina (UNRWA).

Violações de direitos humanos

Al Hussein lembrou “os assassinatos chocantes” de manifestantes, entre eles, crianças, durante os protestos da Grande Marcha do Retorno, em março último. Para o alto-comissário, será “essencial” que as autoridades cooperem com a comissão de inquérito independente, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar as mortes e outras violações. O dirigente explicou que, embora Israel tenha mecanismos para responsabilizar os autores dos crimes, existem “sérias preocupações” quanto à imparcialidade das suas instituições.

O chefe de Direitos Humanos da ONU alertou ainda para a adoção em julho da Lei Básica do Estado-Nação, que “fundamenta uma discriminação inerente contra comunidades não judias, principalmente os cidadãos árabes de Israel e os residentes de Jerusalém Oriental, ocupada”. Em sua avaliação, Al Hussein acredita que o texto pode “inflamar ainda mais as tensões”.

O alto-comissário criticou o fato de que a construção e o planejamento de novos assentamentos israelenses prosseguem “sem cessar” na Cisjordânia, incluindo na região leste de Jerusalém. “Desde o início de 2018, ataques de colonos aos palestinos atingiram a média mensal mais alta dos últimos três anos”, ressaltou.

Outras violações do direito internacional que afetam os palestinos incluem as crescentes restrições à liberdade de movimento, as demolições e remoções de propriedades civis, intimidações diárias da população, transferências forçadas e a prolongada existência do muro que separa os territórios.


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