ONU pede fim de confrontos e ataques aéreos no Iêmen; bloqueio saudita ameaça milhões de pessoas

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“O secretário-geral pede a retomada urgente de todas as importações comerciais. Sem estas, milhões de crianças, mulheres e homens correm o risco de sofrer com fome, doenças e a morte em massa”, afirmou o secretário-geral, António Guterres, e chefes de sete agências das Nações Unidas.

Um número alarmante de 20,7 milhões de pessoas no Iêmen precisa de algum tipo de apoio humanitário ou de proteção, com cerca de 9,8 milhões em necessidade extrema de assistência.

Um bebê é examinado com suspeita de desnutrição no hospital Al-Jomhouri, apoiado pelo UNICEF em Sa'ada, no Iêmen. Foto: UNICEF / Maad Al-Zekri

Um bebê é examinado com suspeita de desnutrição no hospital Al-Jomhouri, apoiado pelo UNICEF em Sa’ada, no Iêmen. Foto: UNICEF / Maad Al-Zekri

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu neste domingo (3) que as partes em conflito no Iêmen cessem todos os ataques aéreos e terrestres, expressando profunda preocupação com a “escalada acentuada” de confrontos armados e ataques aéreos na capital, Sanaa, e outras partes do país devastado pela guerra nos últimos dias – e durante mais de dois anos.

Uma declaração de seu porta-voz apontou que a luta já resultou em dezenas de mortes e centenas de feridos, incluindo civis, e também está restringindo o movimento de pessoas e serviços de salvamento na cidade de Sana’a.

“Ambulâncias e equipes médicas não podem acessar os feridos e as pessoas não podem sair para comprar comida e outras necessidades. Os trabalhadores humanitários são incapazes de viajar e implementar programas críticos de salvar vidas num momento em que milhões de iemenitas dependem de assistência para sobreviver”, disse o comunicado.

O último surto de violência chega no pior momento para o povo iemenita, já imerso na maior crise humanitária do mundo. O conflito e o bloqueio que foram implementados no dia 6 de novembro – e ainda não foram totalmente retirados – causaram uma falta significativa de recursos essenciais, especialmente alimentos e combustível, e resultaram em aumentos de preços, reduzindo o acesso a alimentos, água potável e cuidados de saúde.

“O secretário-geral pede a retomada urgente de todas as importações comerciais. Sem estas, milhões de crianças, mulheres e homens correm o risco de sofrer com fome, doenças e a morte em massa”, afirmou.

Edifício no Iêmen foi destruído por ataques aéreos. Foto: OCHA / P. Kropf

Edifício no Iêmen foi destruído por ataques aéreos. Foto: OCHA / P. Kropf

O chefe das Nações Unidas pediu a todas as partes no conflito que respeitem as obrigações impostas pelo direito internacional humanitário: “É fundamental que os civis sejam protegidos, que os feridos tenham acesso seguro aos cuidados médicos e que todos os lados facilitam o acesso humanitário que salva vidas”.

Mais de dois anos de conflito implacável entre o governo e rebeldes houthi no Iêmen – que já é um dos países árabes mais pobres do mundo – devastaram a vida de milhões de pessoas. Um número alarmante de 20,7 milhões de pessoas no Iêmen precisa de algum tipo de apoio humanitário ou de proteção, com cerca de 9,8 milhões em necessidade extrema de assistência.

“O secretário-geral reitera que não existe uma solução militar para o conflito do Iêmen. Ele exorta todas as partes no conflito a se empenhar de forma significativa com as Nações Unidas para revitalizar as negociações inclusivas sobre um acordo político”, concluiu o comunicado.

No sábado (2), em outro comunicado, representantes de alto escalão da ONU pediram à coalizão liderada pela Arábia Saudita que encerre totalmente o bloqueio dos portos do Mar Vermelho no país. Eles alertaram que, a menos que as importações comerciais sejam retomadas, “a ameaça da fome generalizada em questão de meses é muito real”.

Eles também anunciaram que as Nações Unidas estão enviando uma equipe a Riade para discutir quaisquer preocupações que a coalizão e a Arábia Saudita possam ter em relação a esses portos. “Mas precisamos da coalizão para garantir urgentemente o acesso sem obstáculos às importações, que são uma linha para salvar a vida de milhões de pessoas”, disse o comunicado conjunto.

Eles reconheceram que o fim parcial do bloqueio dos portos do Mar Vermelho do Iêmen nos últimos dias está permitindo que as organizações humanitárias retomem a prestação de assistência vital às pessoas em imediata necessidade.

“No entanto, dada a enorme escala da crise humanitária do Iêmen, tudo que isso faz é desacelerar uma tragédia humanitária enorme que custa milhões de vidas. Isso não o impede”, disseram os líderes da ONU.

O apelo veio em uma declaração conjunta feita pelos chefes da Organização Mundial da Saúde (OMS); Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR); Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF); Programa Mundial de Alimentos (PMA); Organização Internacional para as Migrações (OIM); e do Escritório da Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).


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