ONU pede fim da campanha de terror promovida por milícias no Burundi

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Chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu às autoridades do Burundi que ajam o quanto antes para pôr fim à violência incitada por jovens da milícia Imbonerakure no país. De acordo a ONU, integrantes dessa milícia estão organizando comícios em todo o país para encorajar violações de direitos humanos contra opositores do grupo, incluindo cantos sobre estupros e assassinatos em massa.

Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein. Foto: ONU / Pierre Albouy

Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein. Foto: ONU / Pierre Albouy

O chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu nesta terça-feira (18) às autoridades do Burundi que ajam o quanto antes para pôr fim à violência incitada por jovens da milícia Imbonerakure no país.

De acordo com Zeid, integrantes dessa milícia estão organizando comícios em todo o Burundi para encorajar violações de direitos humanos contra opositores do grupo.

“Os cantos grotescos sobre estupros por jovens são profundamente alarmantes, especialmente porque isso confirma o que ouvimos daqueles que fugiram do Burundi devido à campanha de medo e terror dessas milícias organizadas”, frisou o representante da ONU.

Ele mencionou um vídeo, que circulou nas redes sociais, de um comício na comuna de Ntega, província de Kirundo (nordeste do Burundi), no qual mais de 100 integrantes do Imbonerakure são vistos repetindo dezenas de vezes o chamado para “engravidar mulheres oponentes para que elas possam dar à luz de um Imbonerakure”. Os cantos também prometiam assassinatos indiscriminados.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) observou que o partido no poder – o CNDD-FDD –, havia emitido uma declaração no último dia 5 de abril condenando essas ações.

No entanto, o ACNUDH acrescentou que relatos recentes indicam que comícios semelhantes e maiores foram organizados em todo o país por funcionários do governo e do partido do presidente.

“A condenação não tem sentido se, em vez de pôr um fim a tais acontecimentos, altos funcionários do governo continuam participando de tais comícios”, enfatizou Zeid. “O governo precisa parar de fingir que o Imbonerakure é um grupo de desenvolvimento comunitário. Tal discurso de ódio grosseiro e descarado e incitação à violência não devem ser tolerados nem encorajados.”

Zeid também manifestou preocupação com relatos contínuos de violações dos direitos humanos generalizadas no país africano, incluindo uso sistemático de tortura por parte das forças de segurança e aumento dos casos de desaparecimento forçado, entre outros delitos graves.

De acordo com estimativas da ONU, mais de 400 mil pessoas fugiram do Burundi devido à insegurança no país.

“Os responsáveis por violações dos direitos humanos devem ser responsabilizados”, disse Zeid, sublinhando que as autoridades do Burundi precisam enviar instruções claras e inequívocas aos policiais, em consonância com o direito internacional humanitário.

“A impunidade por violações dos direitos humanos por parte das forças de segurança e da milícia Imbonerakure deve chegar ao fim.”

O chefe de direitos humanos ainda pediu às autoridades do país que garantam acesso irrestrito de seu escritório ao país, de modo que seja possível acompanhar de perto a situação humanitária.


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