ONU pede à Europa medidas ousadas para acabar com crise no Mediterrâneo

“A resposta da União Europeia tem de ir além da presente abordagem minimalista do Plano de 10 pontos sobre Migrações, anunciado na segunda-feira (20), que se concentra principalmente em conter a chegada de migrantes e refugiados em sua costa”, declarou comunicado conjunto da Organização.

Sobreviventes do barco que naufragou no Mediterrâneo no fim de semana de 18-19 de abril 2015. Foto: ACNUR/F. Malavolta

Sobreviventes do barco que naufragou no Mediterrâneo no fim de semana de 18-19 de abril 2015. Foto: ACNUR/F. Malavolta

Em uma declaração conjunta, assinada pelo alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), Zeid Ra’ad Al Hussein, o representante especial da ONU para a Migração Internacional e o Desenvolvimento, Peter Sutherland, e o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing, emitida nesta quinta-feira (23), os chefes destes organismos internacionais exortaram os líderes da União Europeia (UE) a encontrar formas de conter o número de pessoas que arriscam suas vidas ao tentar atravessar o Mediterrâneo, depois de centenas de refugiados e migrantes perderam suas vidas em alto mar.

“A resposta da União Europeia tem de ir além da presente abordagem minimalista do Plano de 10 pontos sobre Migrações, anunciado pela UE na segunda-feira (20), que se concentra principalmente em conter a chegada de migrantes e refugiados a sua costa” e tomar medidas ousadas e coletivas, diz o comunicado conjunto.

Lembrando que a UE foi fundada em princípios fundamentais de humanidade, como solidariedade e respeito pelos direitos humanos, a declaração diz: “Exortamos os Estados-membros da UE a demonstrar liderança moral e política na adoção de um plano de ação holística, voltado para o futuro e centrado sobre esses valores.”

“Como um princípio fundamental, a segurança, a necessidade de proteção e os direitos humanos de todos os migrantes e os refugiados devem estar na vanguarda da resposta da UE.”

“Os líderes da UE devem olhar para além da atual situação e trabalhar em estreita colaboração com os países de trânsito e de origem tanto para aliviar o sofrimento imediato dos migrantes e refugiados e abordar, de uma forma mais abrangente, os diversos fatores que os levam a recorrer a tais viagens desesperadas por mar”, continua a declaração, que também sugere uma série de ações a serem tomadas pelos países europeus.