ONU pede compromisso com produção de estatísticas de qualidade sobre migrações

Em pronunciamento na segunda-feira (15), o chefe da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing, defendeu um plano global para a produção de dados sobre deslocamentos humanos. Dirigente explicou que estatísticas precisas e completas são fundamentais para o desenvolvimento de políticas adequadas, além de informar os debates sobre migração por fatos concretos, e não por medos e estereótipos.

Migrantes e refugiados cruzam Mediterrâneo para chegar à Europa. Foto: Marinha Italiana/M. Sestini

Migrantes e refugiados cruzam Mediterrâneo para chegar à Europa. Foto: Marinha Italiana/M. Sestini

Em pronunciamento na segunda-feira (15), o chefe da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing, defendeu um plano global para a produção de dados sobre deslocamentos humanos. Dirigente explicou que estatísticas precisas e completas são fundamentais para o desenvolvimento de políticas adequadas, além de informar os debates sobre migração por fatos concretos, e não por medos e estereótipos.

“O progresso para tornar a migração mais segura e mais regular, para fomentar seu potencial para avanços socioeconômicos, para proteger os direitos dos migrantes e sua dignidade, isso só pode ser medido se estatísticas confiáveis estiverem disponíveis. Dados são essenciais para identificar quais intervenções em termos de políticas estão funcionando para alcançar esses objetivos e quais não estão”, afirmou Swing em Paris, na abertura do Primeiro Fórum Internacional sobre Estatísticas de Migrantes.

Na avaliação do diretor-geral da OIM, apesar de esforços de governos e da comunidade internacional, “lacunas significativas” permanecem na consolidação de informações sobre quem são os migrantes do mundo contemporâneo.

“Os censos populacionais nacionais, tradicionalmente a principal fonte de dados sobre migração, são (realizados com regularidades) pouco frequentes e não podem, portanto, oferecer informação a tempo. Além disso, os migrantes, particularmente os que estão em situação ilegal, estão frequentemente ausentes de pesquisas domiciliares ou são difíceis de rastrear por meio de fontes administrativas”, explicou.

Swing acrescentou ainda que “dados são essenciais para promover um debate sobre migração que seja informado por fatos, em vez de (ser informado por) medos e estereótipos”.

Uma possível solução para a falta de estatísticas mais precisas sobre o atual quadro migratório é o uso do “Big Data”, termo utilizado por especialistas em tecnologia para designar o volume de informação que usuários da internet produzem, muitas vezes sem se dar conta, com suas atividades em rede.

Contudo, Swing alertou para a necessidade de critérios claros, transparentes e éticos na utilização desses dados, tendo em vista a preservação dos direitos dos migrantes e de sua privacidade.

“Precisamos urgentemente estimular um diálogo sobre um Plano de Ação Global, um plano para garantir a disponibilidade para os decisores políticos de dados nacionais, regionais e globais e de análise estatística das tendências em migração”, completou o chefe da Organização.

O Primeiro Fórum Internacional sobre Estatísticas de Migrantes foi organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pela OIM e pelo Departamento da ONU de Assuntos Sociais e Econômicos.