ONU pede comprometimento com Acordo de Paris sobre o clima

A mudança climática é uma ameaça crescente e sem precedentes à paz, à prosperidade e ao desenvolvimento e abordá-la é uma oportunidade econômica para governos e empresas. A conclusão é de representantes das Nações Unidas que participaram de um encontro de alto nível da Assembleia Geral, em Nova Iorque.

Resultados das mudanças climática são percebidos em comunidades rurais como esta vila na Nigéria. Foto: David Rose/IFAD

Resultados das mudanças climática são percebidos em comunidades rurais como esta vila na Nigéria. Foto: David Rose/IFAD

A mudança climática é uma ameaça crescente e sem precedentes à paz, à prosperidade e ao desenvolvimento e abordá-la é uma oportunidade econômica para governos e empresas. A conclusão é de representantes das Nações Unidas que participaram de um encontro de alto nível da Assembleia Geral, em Nova Iorque, no último dia 23.

“Estamos lidando com fatos científicos, não políticos. E os fatos são claros: mudança climática é uma ameaça direta e multiplicadora”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

“Em primeiro lugar, a mudança climática é uma ameaça crescente e sem precedentes à paz e prosperidade e o mesmo acontece em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em segundo lugar, abordar a mudança climática é uma oportunidade imensa e não podemos perdê-la”, enfatizou.

O Acordo de Paris, adotado em dezembro de 2015, é único e universal: foi assinado por todos os governos e entrou em vigor menos de um ano depois, com mais de 130 membros ratificando o documento. Os países que apoiam o Acordo de Paris são os mesmos que adotaram a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, e isto inclui todos os países membros da ONU.

O motivo para este consenso é claro: todas as nações reconhecem que a implementação da Agenda 2030 caminha de mãos dadas com a limitação do aumento da temperatura global e da resiliência climática.

Guterres lembrou que 2016 foi novamente um ano com temperaturas recordes. Nos oceanos, o gelo diminuiu e as águas aumentaram em níveis históricos. Segundo ele, estas tendências são indiscutíveis e as consequências das mudanças climáticas incluem insegurança alimentar, escassez de água, pobreza e deslocamento.

O líder das Nações Unidas afirmou ainda que enfrentar as mudanças climáticas é uma oportunidade para governos e negócios. “Precisamos agir, urgente e decisivamente, agora. É o único caminho viável para garantir a paz, a prosperidade e um futuro sustentável.”

O presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson, contou ter recebido a confirmação de que a temperatura global está aumentando entre 3 e 4 graus Celsius, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). “Sempre achei que, neste patamar, a sobrevivência da humanidade no planeta estaria ameaçada”, afirmou.

“Embora o prognóstico seja desastroso, a comunidade científica nos garante que é possível mudar a curva das trajetórias atuais, se trabalharmos juntos para controlar a crescente emissão de gás carbônico”, afirmou Thomson, reiterando o pedido para que todos os Estados-membros ratifiquem sem demora o Acordo de Paris.

Patrícia Espinosa, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), falou sobre a necessidade de desenvolver políticas focadas no bem-estar sustentável e no crescimento econômico responsável. “Estamos realmente na era da implementação. Está nas nossas mãos, coletivamente como uma comunidade de nações, construir um futuro melhor para todos”, afirmou.


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