ONU pede apoio da diáspora somali para aliviar sofrimento no Chifre da África

Apelo é para que cidadãos que vivem no exterior contribuam para sanar a fome e curar os doentes. Representante Especial também pede livre acesso a áreas de conflito para atendimento humanitário.

Refugiados recém-chegados esperam acolhimento no campo de Dagahaley

O Representante Especial do Secretário-Geral para a Somália, Augustine Mahiga, pediu na quarta-feira (03/08) que os somalis ao redor do mundo se unam para aliviar o sofrimento causado pela fome e apoiem o processo de paz na região atingida por conflitos desde 1991.

“Este é um momento de grande crise, mas também de rara oportunidade. É hora de todos se unirem para ajudar os sofredores e trabalhar por um futuro melhor para todos”, escreveu o representante em carta para a diáspora somali.

“Apelo a todos aqueles em condições – somalis e comunidade internacional – a darem o máximo que puderem durante este mês sagrado para alimentar os famintos, curar os doentes e evitar que a fome se espalhe ainda mais”, declarou, referindo-se ao mês de jejum islâmico do Ramadã, que começou na segunda-feira.

A seca no Chifre da África tem devastado grandes áreas da Somália, Quênia, Etiópia e Djibuti. Estima-se que 12,4 milhões de pessoas necessitem de ajuda humanitária. A ONU destaca a necessidade de uma estratégia abrangente e inclusiva para restabelecer a paz e a estabilidade na Somália, onde uma epidemia de fome foi declarada em 20 de julho.

Para Mahiga, apesar dos recentes progressos políticos, a luta de duas décadas entre facções contribui para agravar a fome na região. Alguns extremistas tentam intimidar a população impedindo a saída das áreas mais atingidas. “Pedimos livre acesso para que as agências humanitárias possam fornecer auxílio aos que necessitam desesperadamente de ajuda”, disse. A insegurança tem colocado em risco trabalhadores humanitários.

Processo de paz

Aos políticos, Mahiga disse que este é um “momento de esperança”, citando o Acordo de Kampala alcançado em junho, que quebrou o impasse que havia paralisado o processo de paz. Sob este acordo, os mandatos do presidente Sharif Sheikh Ahmed e do Parlamento Federal de Transição, que deveriam expirar neste mês, foram prorrogadas por um ano.

O Executivo e o Legislativo se comprometeram a trabalhar juntos para implementar as tarefas prioritárias. Segundo Mahiga, o mais urgente é adotar um roteiro para finalizar o projeto de Constituição, atividade que recebe apoio da ONU.