ONU pede ações sérias dos EUA para acabar com violência policial contra afrodescendentes

A chefe de direitos humanos da ONU condenou na quinta-feira (28) o assassinato do norte-americano George Floyd, de 46 anos, que estava sob custódia policial na cidade de Mineápolis, nos Estados Unidos.

Michelle Bachelet lembrou que o crime se soma à longa lista de assassinatos de afrodescendentes norte-americanos cometidos por policiais no país.

Ela disse que as autoridades precisam tomar “ações sérias” para impedir tais assassinatos e garantir que a justiça seja feita quando ocorrerem.

Seis anos antes de George Floyd ser assassinado sob custódia policial na cidade de Minneapolis, manifestantes em Nova Iorque protestavam contra o assassinato de Michael Brown, cometido por policiais. Foto: ONU/Loey Felipe

Seis anos antes de George Floyd ser assassinado sob custódia policial na cidade de Minneapolis, manifestantes em Nova Iorque protestavam contra o assassinato de Michael Brown, cometido por policiais. Foto: ONU/Loey Felipe

A chefe de direitos humanos da ONU condenou na quinta-feira (28) o assassinato do norte-americano George Floyd, de 46 anos, que estava sob custódia policial na cidade de Mineápolis, nos Estados Unidos.

Michelle Bachelet classificou o crime como mais um da longa lista de assassinatos de afrodescendentes norte-americanos cometidos por policiais no país.

“Estou consternada por ter que adicionar o nome de George Floyd ao de Breonna Taylor, Eric Garner, Michael Brown e muitos outros afro-americanos desarmados que morreram ao longo dos anos nas mãos da polícia – assim como de pessoas como Ahmaud Arbery e Trayvon Martin, que foi morto por seguranças armados”, afirmou Michelle Bachelet, alta-comissária da ONU para os direitos humanos.

Ela disse que as autoridades norte-americanas precisam tomar “ações sérias” para impedir tais assassinatos e garantir que a justiça seja feita quando ocorrerem.

“Os procedimentos devem mudar, os sistemas de prevenção devem ser implementados e, acima de tudo, policiais que recorrerem ao uso excessivo da força devem ser acusados ​​e condenados pelos crimes cometidos”, destacou Bachelet.

A chefe de direitos humanos da ONU acolheu com satisfação o anúncio das autoridades federais em Washington, que disseram priorizar uma investigação sobre o incidente. No entanto, ela lembrou que “em muitos casos no passado, essas investigações justificaram tais mortes com motivos questionáveis, ou foram abordadas apenas com medidas administrativas”.

“O papel que a discriminação racial arraigada e generalizada desempenha nessas mortes também precisa ser completamente examinado, reconhecido e tratado adequadamente”, acrescentou.

Protestos em Minnesota

O assassinato provocou protestos violentos na maior cidade de Minnesota, Mineápolis, com centenas de manifestantes sendo reprimidos pela polícia, durante duas noites de agitação.

Vídeo capturado no local na segunda-feira (25) e postado nas redes sociais mostrou um policial branco usando o joelho para prender Floyd no chão ao longo de vários minutos.

Quatro policiais envolvidos foram demitidos, mas nenhum até agora foi acusado. O prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, pediu calma, escrevendo no Twitter que “não podemos deixar que tragédias gerem mais tragédias”.

Embora tenha empatia com a raiva provocada pelo assassinato de Floyd, a chefe de direitos humanos da ONU incentivou as pessoas em Mineápolis e em outros lugares a protestar pacificamente.

“A violência e a destruição de propriedades não resolverão o problema da brutalidade policial e da discriminação enraizada”, disse ela.

“Peço aos manifestantes que expressem suas demandas por justiça pacificamente, e exorto a polícia a tomar o máximo cuidado para não inflamar ainda mais a situação atual com qualquer uso adicional de força excessiva”, concluiu a alta-comissária da ONU.