ONU pede ações urgentes para evitar mais uma crise de fome na Somália

As Nações Unidas alertaram na quinta-feira (2) que mais uma crise de fome pode ocorrer na Somália nas próximas semanas caso não sejam tomadas medidas urgentes para intensificar a assistência humanitária no país.

Quase 2 milhões de pessoas são afetadas pela seca em regiões do norte da Somália. Foto: PMA / Petterik Wiggers

Somalis são afetados pela seca em regiões do norte no país. Foto: PMA / Petterik Wiggers

As Nações Unidas alertaram na quinta-feira (2) que mais uma crise de fome pode ocorrer na Somália nas próximas semanas caso não sejam tomadas medidas urgentes para intensificar a assistência humanitária no país.

O coordenador humanitário das Nações Unidas para o país, Peter de Clercq, chamou a atenção para várias áreas que estão entre as mais afetadas pela seca na região.

“Este é o momento de agir para evitar outra crise de fome na Somália”, advertiu Peter de Clercq, durante o lançamento dos dados mais recentes sobre segurança alimentar e nutrição na capital Mogadíscio.

“Se não ampliarmos imediatamente a resposta à seca, muitas vidas serão perdidas; meios de subsistência serão destruídos, e as buscas por iniciativas importantes de construção do Estado e de consolidação da paz serão inviabilizadas”, alertou, acrescentando que ações preventivas para evitar a crise são necessárias.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), chuvas inadequadas e a falta de água destruíram colheitas e causaram a morte de muitos animais no país. Além disso, várias comunidades precisaram vender bens e pedir dinheiro emprestado e alimentos para sobreviver.

O número de pessoas em necessidade de assistência aumentou de 5 milhões em setembro de 2016 para as mais de 6,2 milhões atualmente, o que corresponde à metade da população somali.

Os dados indicam também um aumento de pessoas em situações classificadas como de “crise” e de “emergência”. Há seis meses, eram 1,1 milhão, e a previsão é de que cheguem a 3 milhões entre fevereiro e junho deste ano.

A situação é particularmente grave entre os somalis mais novos. Cerca de 363 mil crianças têm desnutrição aguda e precisam de apoio nutricional, que inclui tratamento essencial para salvar vidas de mais um quinto dos menores em situação grave.

“O que estamos vendo hoje em muitas áreas rurais do país, especialmente em Bay e em Puntland, está começando a parecer tão preocupante como o que ocorreu em 2010-2011”, afirmou o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no país, Richard Trenchard, lembrando que a Somália teve a pior crise de fome do século 21 naquele período, com mais de 250 mil mortes.