ONU pede à comunidade internacional apoio a acordo político da RD Congo

Em reunião com o Conselho de Segurança, o chefe de operações de paz da ONU, Hervé Ladsous, pediu que comunidade internacional apoie o acordo alcançado na República Democrática do Congo sobre a realização das eleições no país. Em dezembro, pelo menos 42 pessoas foram mortas e outras 140 ficaram feridas em ataques das forças de segurança nacionais contra manifestantes.

Subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Hervé Ladsous, fala ao Conselho de Segurança do acordo político sobre a realização das eleições na República Democrática do Congo. Foto: ONU/Evan Schneider

Subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Hervé Ladsous, fala ao Conselho de Segurança do acordo político sobre a realização das eleições na República Democrática do Congo. Foto: ONU/Evan Schneider

Em reunião no Conselho de Segurança na quarta-feira (11), o subsecretário-geral da ONU para as Operações de Paz, Hervé Ladsous, pediu que a comunidade internacional apoie o acordo alcançado na República Democrática do Congo sobre a realização das eleições no país.

Segundo Ladsous, o acordo de 31 de dezembro abre novas perspetivas para uma resolução pacífica do impasse político na RD Congo. Todavia, a não assinatura do documento pode atrasar as eleições, aumentar o risco de uma nova crise política e intensificar a violência no país.

“Os atores regionais e internacionais devem manter um forte apoio para a implementação do acordo e para a realização do pleito o mais rapidamente possível”, frisou o subsecretário-geral.

Além dos acontecimentos políticos no país, ele abordou as recentes violações dos direitos humanos e os atos de violência ocorridos nos dias 19 e 20 de dezembro do ano passado. Pelo menos 42 pessoas foram mortas e outras 140 ficaram feridas em choque entre as forças de segurança nacionais e manifestantes.

Diante dos casos, o funcionário da ONU pediu ao governo congolês que inicie uma investigação completa sobre os eventos que levaram ao uso excessivo da força e à perda de vidas durante o período.

Ele também solicitou que os autores desses delitos sejam levados à justiça o quanto antes.

“Além da ameaça representada por grupos armados estrangeiros, com as Forças Aliadas Democráticas (ADF) e as Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), as atividades de grupos de milícias estão aumentando em muitas partes do país. Esse aumento nos níveis de violência armada é impulsionado em parte pela escalada de conflitos profundamente enraizados e de longa data entre comunidades étnicas”, observou.

Ladsous afirmou ainda que o Secretariado da ONU e a Missão de Paz na República Democrática do Congo (MONUSCO) continuarão empenhadas em trabalhar em prol do acordo alcançado e do povo congolense, e disse que apresentará recomendações ao Conselho a fim de melhorar esses objetivos.

O recente acordo político é resultado de um documento inicial assinado em 18 de outubro de 2016 entre as partes. Segundo a ONU, trata-se de um importante passo para uma transição de gestão pacífica e consistente com os princípios democráticos consagrados na Constituição do país.