ONU parabeniza Justiça boliviana por responsabilizar autoridades por 69 mortes em protestos de 2003

Ex-Ministros e chefes militares foram condenados a penas de até 15 anos de prisão pelo uso excessivo da força em protestos contra a construção de gaseoduto.

Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi PillayA Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, cumprimentou hoje (02/09) o Judiciário boliviano por condenar autoridades pela participação na morte de 69 pessoas durante protestos contra o governo realizados em 2003. “Saúdo a Suprema Corte da Bolívia por sua decisão, que é um importante passo na luta contra a impunidade.”

No chamado “outubro negro”, ao longo de dias, soldados atiraram contra manifestantes que demonstravam insatisfação com o plano do governo de construir um gaseoduto passando por El Alto, região metropolitana de La Paz. Além das dezenas de mortos, mais de 400 pessoas ficaram feridas.

Depois de um julgamento que demorou dois anos, cinco altos oficiais militares foram sentenciados esta semana a penas de 10 a 15 anos de prisão. Ex-Ministros do Desenvolvimento Sustentável e do Emprego foram condenados a três anos cada.

“Peço que o Governo tome todas as medidas necessárias para assegurar às vítimas e suas famílias reparações e indenizações adequadas”, declarou. Pillay destacou que países da América Latina, como Argentina, Uruguai, Colômbia e Guatemala, têm demonstrado ao resto do mundo que é possível não apenas mudar da ditadura para a democracia, mas também trazer justiça – independente de quão poderosos ou influentes os responsáveis por violações de direitos humanos possam ser.