ONU: Nos últimos meses, 15 pessoas albinas foram sequestradas ou mortas para fins rituais na África

“Esses ataques são, muitas vezes, surpreendentemente viciosos, em particular os que têm as crianças como alvo”, afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

Criança albina em escola na cidade de Niambly, na Costa do Marfim. Foto: ACNUR/H. Caux

Criança albina em escola na cidade de Niambly, na Costa do Marfim. Foto: ACNUR/H. Caux

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse, nesta terça-feira (10), estar preocupado com o recente aumento dos ataques contra pessoas albinas. Só em Malauí pelo menos seis incidentes foram relatados nas primeiras dez semanas de 2015, em comparação com quatro incidentes registados ao longo dos dois anos anteriores.

“Esses ataques são, muitas vezes, surpreendentemente viciosos, em particular os que têm as crianças como alvo”, disse Al Hussein. “Como resultado, muitas pessoas com albinismo estão vivendo com medo. Alguns já não se atrevem a sair de casa, e as crianças albinas pararam de frequentar a escola por causa da recente onda de assaltos, assassinatos e sequestros” acrescentou.

A situação tem piorado também na Tanzânia, onde diversos ataques foram relatados desde agosto de 2014. No último sábado, Baraka Cosmas Rusambo, que tem 6 anos de idade, foi atacado em sua casa e os agressores fugiram após cortar sua mão direita com um facão. Baraka e sua mãe, que sofreu ferimentos graves na cabeça, estão ambos no hospital. A polícia mudou a localização de seus dois irmãos que também têm albinismo, para um lugar mais seguro e prendeu sete suspeitos, incluindo o pai de Baraka.

Zeid pediu as autoridades que impeçam ataques contra pessoas albinas em todos os países onde eles estão ocorrendo, que levem criminosos à justiça e garantam que a reparação e reabilitação para os sobreviventes e suas famílias sejam uma prioridade.