ONU: neve e tempestades deixam refugiados sírios em situação ‘miserável’ no Líbano

No Líbano, tempestades e queda de neve levaram a uma deterioração das condições de vida e de moradia para dezenas de milhares de sírios. O coordenador humanitário da ONU no país, Philippe Lazzarini, afirmou nesta quinta-feira (10) que alguns acampamentos foram completamente alagados, deixando os refugiados em situação “miserável”. Estima-se que o território libanês acolha entre 1,2 milhão a 1,3 milhão de sírios, dos quais 70% vivem abaixo da linha da pobreza.

No acampamento de Dalhamiya, no Líbano, 60 das 110 tendas foram afetadas pelas chuvas e queda de neve. Algumas estão severamente alagadas. Foto: ACNUR/Diego Ibarra Sanchez

No acampamento de Dalhamiya, no Líbano, 60 das 110 tendas foram afetadas pelas chuvas e queda de neve. Algumas estão severamente alagadas. Foto: ACNUR/Diego Ibarra Sanchez

No Líbano, tempestades e queda de neve levaram a uma deterioração das condições de vida e de moradia para dezenas de milhares de sírios. O coordenador humanitário da ONU no país, Philippe Lazzarini, afirmou nesta quinta-feira (10) que alguns acampamentos foram completamente alagados, deixando os refugiados em situação “miserável”. Estima-se que o território libanês acolha entre 1,2 milhão a 1,3 milhão de sírios, dos quais em torno de 70% vivem abaixo da linha da pobreza.

Em pronunciamento em Genebra, Lazzarini explicou que os refugiados haviam sido transferidos de abrigos para instalações mais seguras, após a chegada da Tempestade Norma ao Líbano, durante o final de semana. Operações de realocação incluíram sírios que vivem na região do Vale do Bekaa, onde o inverno é especialmente rigoroso.

Embora o número de refugiados da Síria oficialmente recebidos pelo Líbano seja de mais de 900 mil, o registro de novos asilados foi suspenso em 2014. Por isso, estimativas apontam que a quantidade real de sírios esteja atualmente em torno de 1,2 milhão a 1,3 milhão.

A proporção de refugiados em relação à população libanesa — um em cada quatro habitantes do Líbano é refugiado — seria “impensável e inaceitável” em qualquer outro lugar, acrescentou Lazzarini. Mas o representante das Nações Unidas minimizou as “tensões” associadas aos refugiados nas comunidades de acolhimento formadas por libaneses, dos quais de 10 a 20% vivem abaixo da linha da pobreza.

O dirigente rejeitou as sugestões de que apenas a situação dos refugiados era responsável pelo descontentamento dentro do país. Lazzarini disse que seus líderes vivem num “impasse” e são incapazes de concordar com um arranjo de compartilhamento do poder para uma governança central efetiva, mesmo com a realização de eleições no ano passado.

“Hoje, eu diria que existe uma atmosfera de ansiedade no país, que está bastante relacionada ao impasse político”, afirmou o coordenador humanitário. A conjuntura, descreveu o funcionário internacional, é marcada pela “a incapacidade de criar um gabinete, a incapacidade de decidir e implementar uma reforma bem atrasada, combinadas à situação econômica, à geopolítica na região e aos refugiados.”

Apoio e solidariedade internacionais para o Líbano continuam fortes, segundo Lazzarini, com doações de até 1,5 bilhão de dólares por ano desde 2015. No entanto, após oito anos de conflito na Síria, o financiamento humanitário “talvez tenha alcançado um teto”, disse o diplomata internacional. O profissional da ONU explicou que talvez seja necessário encontrar fundos de longo prazo para o desenvolvimento, sobretudo para projetos de educação, que exigem um investimento mínimo de quatro anos.

Retorno para a Síria

Questionado sobre quantos refugiados tinham optado por voltar à Síria, Lazzarini explicou que de 16 mil a 17 mil haviam se registrado junto às autoridades de Damasco em 2018. O número representa um leve aumento em relação ao ano anterior, quando não mais que 13 mil sírios voltaram para casa.

Sugestões de que a ONU havia impedido as pessoas de retornarem estavam incorretas, insistiu o coordenador humanitário. Segundo o representante, a Organização busca garantir que os refugiados tenham toda a documentação necessária, como certidões de nascimento e casamento, para evitar dificuldades na reintegração à vida na Síria.

“Em última instância, as pessoas vão decidir se sim ou não”, disse o representante. “O que é importante é, se os retornos acontecerem, que aconteçam num ambiente em que as pessoas se sintam confiantes o bastante para voltar e em que você tenha a confiança necessária.”

Os números mais recentes da ONU indicam que existem mais de 5,6 milhões de refugiados sírios fora do país em guerra. A Turquia abriga a maioria dessa população — 2,6 milhões. Em seguida, vem o Líbano — mais de 900 mil. Depois, a Jordânia (670 mil), Iraque (250 mil) e Egito (130 mil). Estima-se que outros 35 mil sírios tenham buscado segurança no norte da África.


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