ONU nega acusações de profanação em igrejas históricas de Mossul

O Serviço de Ação Anti-Minas das Nações Unidas (UNMAS) no Iraque negou na quinta-feira (17) as acusações de que suas equipes haviam removido explosivos em duas igrejas históricas de Mossul “de maneira bárbara e arbitrária”. As queixas, publicadas nesta semana no site de uma ONG, a Organização Hammurabi de Direitos Humanos (HHRO), acusavam o organismo da ONU de “crimes não menos graves e desrespeitosos do que crimes do Estado Islâmico”.

Prédios destruídos na cidade de Mossul, no Iraque. Foto: UNICEF

Prédios destruídos na cidade de Mossul, no Iraque. Foto: UNICEF

O Serviço de Ação Anti-Minas das Nações Unidas (UNMAS) no Iraque negou na quinta-feira (17) as acusações de que suas equipes haviam removido explosivos em duas igrejas históricas de Mossul “de maneira bárbara e arbitrária”. As queixas, publicadas nesta semana no site de uma ONG, a Organização Hammurabi de Direitos Humanos (HHRO), acusavam o organismo da ONU de “crimes não menos graves e desrespeitosos do que crimes do Estado Islâmico”.

A organização sem fins lucrativos e sem vínculos com o governo afirmou que a remoção foi realizada sem autorização da igreja, “de maneira bárbara e arbitrária com total desrespeito à santidade sagrada e religiosa” dos dois templos, localizados na área de Hosh al-Khan, no distrito de Al Maedan, em Mossul.

Embora o UNMAS – e seu parceiro no projeto de remoção, a G4S – não tenham sido citados nominalmente, o serviço da ONU no Iraque disse que vê as acusações com seriedade e que está aberto a maiores investigações sobre o caso. O organismo também afirmou que espera continuar trabalhando em estreita colaboração com o governo iraquiano.

A agência das Nações Unidas convidou a ONG e autoridades do Arcebispado Católico Siríaco de Nínive, bem como outras autoridades iraquianas relevantes, para um encontro onde seria possível avaliar cuidadosamente os fatos relativos às suas afirmações.

O UNMAS afirmou estar “interessado em preservar todos os sítios arqueológicos, religiosos e históricos” durante as fases de avaliação para a retirada das minas e em outras operações de remoção.

Segundo o pronunciamento, o objetivo do organismo das Nações Unidas é trabalhar junto com o governo e as autoridades religiosas, a fim de “garantir que este tesouro nacional esteja são e salvo, para impedir quaisquer danos adicionais além dos infligidos pelos terroristas e pelo conflito”.

Até o momento, equipes do UNMAS e da G4S já removeram com segurança 53 cinturões explosivos de igrejas, 74 munições de vários tipos, sete bombas improvisadas e outros materiais, como explosivos caseiros. De acordo com a agência, o local e destroços acumulados permanecem amplamente contaminados com explosivos e vão precisar de novas operações de remoção.

O Serviço Anti-Minas da ONU explicou que, desde que começou a operar em Mossul, em novembro de 2017, mais de 1,5 mil operações foram realizadas, com a remoção de aproximadamente 48 mil fragmentos ou dispositivos explosivos de todos os tipos, sem quaisquer outras queixas.

Em 2014, o grupo terrorista jihadista Estado Islâmico ocupou a cidade iraquiana de Mossul, centro histórico do cristianismo no Oriente Médio há séculos, e exigiu que a população se convertesse ao Islã ou enfrentasse execução. Mais de cem igrejas e outros locais religiosos foram destruídos ou demolidos.

Muitos outros enclaves cristãos e de outras minorias religiosas, ao longo do norte do Iraque, foram tomados ou destruídos por combatentes do Estado Islâmico durante mais de três anos de ocupação.