‘ONU não vai desistir de ajudá-los a restaurar a paz em seu país’, diz Ban Ki-moon ao povo sírio

Uma garota carrega baldes de água e passa por uma pilha de escombros em uma rua em Aleppo, na Síria. Foto: UNICEF/Romenzi

Nesta sexta-feira (20), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, emitiu uma declaração acerca da atual situação da Síria em meio ao agravamento da guerra e a onda de violência contínua. Desde que o conflito eclodiu em 2011, ele afirmou que tornou-se impossível para a ONU contar “friamente” o número de mortos no país, que já passa de 150 mil.

Segundo ele, no momento, o maior obstáculo para acabar com a guerra na Síria é a posição de que ela pode ser vencida militarmente. “Eu rejeito a narrativa atual que o governo da Síria está ‘ganhando’ ao conquistar territórios através de bombardeios aéreos em bairros civis densamente povoados. Isto não é uma vitória”, acrescentou.

“Ninguém está ganhando. Ninguém pode vencer. Mesmo se um lado estiver prevalecendo a curto prazo, o efeito devastador ainda vai plantar sementes de um futuro conflito”, disse o secretário-geral. “Enquanto a ONU se esforça para resolver as raízes profundas do conflito, ajuda a salvar vidas e reduz o sofrimento, o seu objetivo fundamental – o fim do conflito – permanece insatisfeito.”

“Para o povo sírio, eu digo: a ONU não vai desistir de ajudá-los a restaurar a paz em seu país. Para os Países-membros da ONU, o meu apelo é o seguinte: vocês devem colocar suas diferenças de lado, defender as suas responsabilidades e trabalhar com a ONU para acabar com esta tragédia”, afirmou.

Ban Ki-moon destaca seis pontos para acabar com a violência na Síria

Na ocasião, o chefe da ONU estabeleceu uma estratégia com seis pontos como prioridade imediata para acabar com a violência no país.

Entre os pontos, ele destacou que é essencial conter o fluxo de armas contínuo do país. Ban Ki-moon pediu ao Conselho de Segurança da ONU para impor um embargo de armas e, caso não consiga, exortou diretamente os países vizinhos da Síria a impor o embargo individualmente, proibindo firmemente o uso de suas fronteiras terrestres e do espaço aéreo para os fluxos de armas e contrabando.

Ele ressaltou que o país necessita de fundos para aliviar o sofrimento humano e proteger os direitos humanos e a dignidade, pois apenas um terço do financiamento solicitado foi recebido. Ele afirmou também que em breve será nomeado um novo enviado especial da ONU para buscar uma solução política no país, pois as recentes eleições “não atendem até mesmo os padrões mínimos para uma votação credível”.

Ban Ki-moon alertou que também é necessário para o país destruir as armas químicas e garantir que seja dada a devida punição aos responsáveis por crimes graves. Em seu ponto final, ele pediu à comunidade internacional para lidar com as dimensões regionais do conflito, incluindo o apoio aos refugiados e a ameaça extremista, como as tensões econômicas, sociais e políticas já elevadas nos países envolvidos.

Ataque a acampamento mata mais de 50 civis

Esta semana, ocorreu um ataque a um acampamento improvisado para pessoas internamente deslocadas no sul da Síria que matou mais de 50 pessoas, incluindo mulheres e crianças.

O secretário-geral da ONU condenou veementemente o ato e reafirmou “a sua condenação do uso indiscriminado de qualquer arma contra civis, o que viola o direito internacional humanitário e os direitos humanos”.

Também esta semana, como parte de um plano para ampliar o alcance de seus esforços humanitários dentro da Síria, a agência das Nações Unidas para refugiados (ACNUR) abriu um escritório de campo e um armazém no sul da cidade de Sweida, o abastecendo com itens de ajuda que servirá a milhares de civis internamente deslocados.

Na última quarta-feira (18), um comboio do ACNUR cruzou a fronteira com a Jordânia e seguiu à cidade vizinha de Sweida com 25 mil cobertores, 10 mil colchões, 2.500 kits de cozinha, 2 mil lonas de plástico e 5 mil galões, trazidos da capital jordaniana, Amã.

O representante do ACNUR na Síria, Tarik Kurdi, disse que a agência pode agora distribuir suprimentos de emergência nas províncias do sul, sem a necessidade de transferi-los antes para Damasco. A ajuda será distribuída aos mais necessitados entre os cerca de 550 mil pessoas deslocadas internamente que vivem nas províncias vizinhas de Sweida e Dara’a.

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