ONU Mulheres: Selo que reconhece boas práticas de gênero e raça é entregue a 68 instituições

“Sabemos da obstinação das empresas participantes do Programa em seu árduo trabalho pela superação do racismo e do sexismo no ambiente de trabalho”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil. Cerimônia marcou 10 anos de criação do selo Pró-Equidade de Gênero e Raça.

Empresa são premiadas por boas práticas de gênero e raça. Foto: Bruno Spada/ONU Mulheres

Empresa são premiadas por boas práticas de gênero e raça. Foto: Bruno Spada/ONU Mulheres

A ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes; a secretária Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci; a secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres/SPM, Tatau Godinho; e a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasmann, entregaram, na última terça-feira (24), o selo Pró-Equidade de Gênero e Raça a 68 empresas que adotaram práticas de igualdade de gênero e raça de forma sistemática.

Participaram do evento, realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, em Brasília, presidentes e a alta direção das empresas agraciadas, entre públicas e privadas.

Nadine Gasman reafirmou a importância do Pró-Equidade para vencer as dificuldades no trabalho diário. “Sabemos da obstinação das empresas participantes do Programa em seu árduo trabalho pela superação do racismo e do sexismo no ambiente de trabalho. Chegamos a um tempo onde as parcerias são fundamentais para fazer as mudanças necessárias. E o programa viabiliza fazer mudanças efetivas, com o foco nos direitos das mulheres e da população negra”, disse a representante da ONU Mulheres.

Uma mensagem da presidenta Dilma Rousseff foi lida pela ministra Nilma Lino Gomes: “Avançamos muito, mas ainda há muito para ser feito para a promoção da igualdade no Brasil. É inegável que o governo tem grande responsabilidade na tarefa de combater a desigualdade. É também inegável que essa agenda depende da mobilização da sociedade”, disse Dilma.

As pessoas e as instituições, acrescentou a presidenta, precisam adotar novos comportamentos e novos valores. “Precisam agir de forma sistemática em favor de relações mais iguais, inclusive no mundo do trabalho. E o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça mostra que este caminho é viável e bem sucedido. Por isso, parabenizo as 68 organizações contempladas com o Selo, essas organizações rejeitaram a inércia que mantém as desigualdades e abraçaram a vontade de construir mais e mais igualdade por meio das práticas do cotidiano”, afirmou Dilma.

Eleonora Menicucci destaca a importância do programa e de ações que promovam a igualdade, “as desigualdades de gênero e raça no mundo do trabalho ainda são muitas. Romper com essa desigualdade ainda é um desafio. E as empresas que participam do Programa assumiram o compromisso de enfrentar esses padrões de relação. São 10 anos de existência do Programa, o que ilustra o compromisso do Governo Federal com a autonomia econômica das mulheres e sem o engajamento das empresas esse trabalho não seria possível”.

“Como o selo é dirigido a grandes e médias empresas, ele multiplica sua importância, porque as empresas acabam sendo representativas nas relações com outras. Muitas vezes, a ação delas repercute no âmbito corporativo”, afirmou a secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres da SPM, Tatau Godinho.

O Pró-Equidade de Gênero e Raça foi criado há 10 anos e nesta edição envolveu cerca de um milhão de trabalhadoras e trabalhadores. Representando as trabalhadoras, a engenheira Jeane Ramos deu depoimento durante o evento. Ela trabalha na Bahiagás (Companhia de Gás da Bahia) como engenheira mecânica e atua na área de Coordenação de Projetos e Obras. Trabalhava em loja e queria crescer como profissional. Foi estudar em uma escola técnica federal e fez curso de técnica em mecânica. Eram quatro alunas no curso de plataforma de navegação. Trabalhou na construção de gasoduto na Bahia, sendo a única mulher.

“Nós da Companhia começamos a participar do selo em 2009. Posso dizer que na Companhia não há discriminação, somos valorizados pelo nosso trabalho, independente de sexo ou cor. Por isso que a Companhia está aqui para ganhar o selo. Também parabenizo as outras empresas que receberam o Selo e para aquelas que ainda não participam, tem que participar”, afirmou Jeane Ramos.

Esta é a quinta edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, que estimula ações de fortalecimento da igualdade no local de trabalho. As organizações participantes do Programa desenvolveram diversas ações como linguagem inclusiva em suas documentações, licença-maternidade de 180 dias e ampliação da licença-paternidade, a adequação de uniformes e equipamentos de segurança.

As iniciativas incentivam uma maior participação das mulheres nos cargos tradicionalmente ocupados por homens, além do empenho das organizações em incentivar suas funcionárias e seus funcionários a fazerem uma autodeclaração étnico-racial para o cadastro institucional, por meio de campanhas criativas e eficientes.

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