ONU Mulheres lamenta morte da ex-ministra e feminista negra Luiza Bairros

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A ONU Mulheres lamentou na terça-feira (12) a morte da feminista negra e ex-ministra da Igualdade Racial Luiza Bairros.

“Luiza Bairros foi uma mulher negra sagaz e extremamente inspiradora por suas ideias e capacidade de trabalho. Fez parte da geração de ativistas do movimento negro que denunciou obstinadamente o mito da democracia racial e trabalhou para a consciência negra por meio da ação política”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Foto: Valter Campanato/ABr

Foto: Valter Campanato/ABr

A ONU Mulheres lamentou na terça-feira (12) a morte da feminista negra e ex-ministra da Igualdade Racial Luiza Bairros, enviando condolências a familiares, amigas e amigos, ativistas de movimentos negro e de mulheres negras, assim como dos movimentos feminista e de mulheres.

“Luiza Bairros foi uma mulher negra sagaz e extremamente inspiradora por suas ideias e capacidade de trabalho. Fez parte da geração de ativistas do movimento negro que denunciou obstinadamente o mito da democracia racial e trabalhou para a consciência negra por meio da ação política”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

“Nos movimentos feminista e de mulheres, discutiu o feminismo com base nas necessidades e nos interesses das mulheres negras. Na academia, desenvolveu uma episteme com perspectiva negra, valorizando a construção histórica da população negra no Brasil, em geral, e das mulheres negras, em particular.”

Segundo Nadine, na cooperação internacional, Luiza inovou ao colaborar para a construção de marcos políticos de combate ao racismo institucional na municipalidade e na área da saúde no Brasil. Na gestão pública, alargou os princípios republicanos ao primar pela inclusão de negras e negros, mais da metade da população.

O último cargo público que Luiza exerceu foi o de ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), no período entre 2011-2014, no qual atuou no Ano Internacional de Afrodescendentes, em 2011, e para a criação da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024) sob o lema “Pessoas afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.

Na época do lançamento, em dezembro de 2014, a ex-ministra disse em entrevista à Rádio ONU que o lançamento da década era marcante pelo fato de o Brasil ter tido papel importante em todo o processo de negociação. “Com isso, nós poderemos agora fazer com que todos os Estados-membros da ONU possam reiterar a sua capacidade de pensar que a situação dos afrodescendentes no mundo pode ser diferente”, declarou na ocasião.

Bairros também pontuava as conquistas para a população negra. “O que nós fazemos é pensar em termos de que todo mundo tem que ter direitos. Por isso, trabalhamos tanto na direção do cumprimento imediato da lei de cotas que foi aprovada pelo Congresso”, disse. “Em 2014, conseguimos a aprovação de outra lei que garante 20% das vagas de concursos públicos para candidatos e candidatas negros. E fora isso, há uma série de programas que existem estabelecidos no governo federal que buscam criar oportunidades para as pessoas negras.”

Ativista histórica do movimento de mulheres negras, Luiza Bairros foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), nos anos 1970, e árdua defensora dos direitos da população negra e da luta contra o racismo e o sexismo no Brasil.

Gaúcha de Porto Alegre, era formada em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan. Por mais de três décadas, radicou-se em Salvador (BA).

Como pesquisadora, deixou um legado teórico sobre racismo, relações raciais e de gênero, posicionando a importância política das mulheres negras.

UNESCO também lamentou a morte de Luiza Bairros

Em nota assinada por seu representante no Brasil, Lucien Muñoz, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reiterou seu agradecimento pela parceria da ex-ministra na luta contra a discriminação racial e a construção de uma sociedade mais igualitária, citando sua ajuda na promoção da “Coleção da História Geral da África” e sua contribuição para a formação de estudantes brasileiros.

“A forma incansável com que se dedicava aos temas ligados à influência da África na História do Brasil e de sua população ficará registrada em nossas memórias e servirá como norte em nossa missão de lutar por uma educação de qualidade para todos”, disse a nota da UNESCO.


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