ONU Mulheres e movimento de mulheres negras discutem em Brasília ações para Agenda 2030

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

A representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, apresentou no fim de junho (27) em Brasília a estratégia de comunicação e ação política “Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030” para organizações brasileiras de mulheres negras.

Segundo Nadine, este é o momento de as organizações traçarem um posicionamento para atuação conjunta, garantindo o cumprimento da Agenda 2030 e por um Planeta 50-50. “Nós contamos com as organizações de mulheres negras do país para traçar os rumos dessa estratégia. Somente vamos obter êxito se trabalharmos conjuntamente. Há muito o que ser feito, e a ONU Mulheres está disposta atuar como colaboradora desse processo”, declarou.

ONU Mulheres foi uma das entidades apoiadoras da Marcha das Mulheres Negras, em 2015. À direita, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka Foto: ONU Mulheres/Bruno Spada

ONU Mulheres foi uma das entidades apoiadoras da Marcha das Mulheres Negras, em 2015. À direita, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka Foto: ONU Mulheres/Bruno Spada

A representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, apresentou no fim de junho (27) em Brasília a estratégia de comunicação e ação política “Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030” para organizações brasileiras de mulheres negras.

Na ocasião, foi discutida a parceria com o movimento de mulheres negras para fortalecer o desenvolvimento da iniciativa, composta por ações de comunicação e advocacy político para as afro-brasileiras, no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Década Internacional de Afrodescendentes (2015–2024).

“A ONU Mulheres está comprometida em ampliar as vozes e a visibilidade para as organizações de mulheres negras, tendo como foco central a Marcha das Mulheres Negras. A estratégia ‘Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030’ se propõe a entrar no espaço público e dentro da ONU para que possamos alcançar os compromissos da Agenda 2030 e da Década Internacional de Afrodescendentes”, disse Nadine.

Para Valdecir Nascimento, da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, a iniciativa da ONU Mulheres é importante para “visibilizar as mulheres negras no Brasil, porque nós, mulheres negras, não vamos ficar no mesmo lugar”. “Continuamos em marcha nos nossos estados”, declarou.

Ângela Gomes, do Movimento Negro Unificado, ressaltou que o feminicídio negro ganhou notoriedade recentemente, enquanto antes era tratado como residual. Segundo ela, ao ser revelado, traz consigo novos desafios para o poder público e a sociedade brasileira.

Bem viver

Uma das lideranças do Fórum Nacional de Mulheres Negras, Clátia Vieira lembrou a importância da cidadania inclusiva e do bem viver — temas abordados na Marcha das Mulheres Negras, que reuniu 50 mil afro-brasileiras em 2015 na capital federal.

“O racismo aperfeiçoa seus métodos. Estamos num quadro de matança da juventude negra. Por isso, é importante saber qual a interlocução das mulheres negras na Agenda 2030 e como a Marcha das Mulheres Negras pode se estabelecer com a Agenda 2030”, declarou. Ela apontou as eleições como decisivas, sendo necessário criar metas de enfrentamento ao racismo, inclusive para aumentar a quantidade de mulheres negras no cenário político.

Regina Adami, da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, apontou a necessidade de trazer o tema da concentração de renda no Brasil e no mundo. “É preciso reequilibrar o jogo para que ninguém fique para trás a despeito do retrocesso. É necessário um rearranjo e qualificar o discurso sobre o que de concreto deve ser feito para mudar. A Agenda 2030 traz isso”, disse.

Pela Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ), Givânia Silva mostrou preocupação com o “desmantelamento e o conservadorismo dos espaços de execução de políticas para a população negra e as mulheres, em geral”. “Muitos deles em vias de extinção”, alertou.

Participação política e direitos econômicos

Creuza Oliveira, secretária-geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), relembrou: “estamos em luta há 80 anos”. “Hoje, vemos um conjunto de retrocessos sobre aposentadoria, o Estatuto do Idoso, as reformas trabalhista e previdenciária. Estamos preocupadas com as eleições 2018, porque já há sinais de pessoas que não querem ir votar. A ONU Mulheres pode colaborar na mediação em defesa das ações afirmativas, do combate à intolerância religiosa, da sensibilização sobre os assassinatos das mulheres”.

Ana Lúcia Pereira, da Agentes da Pastoral Negros (APNs), salientou a importância da Agenda 2030 para retomar a defesa de áreas importantes para a população negra. “Estamos discutindo terra e territórios e a segurança alimentar e nutricional das mulheres negras, quilombolas, juventude negra, intolerância religiosa. Outra questão urgente é enfrentar o racismo nas instituições”.

Propostas apresentadas

Durante o evento, as ativistas também falaram sobre a necessidade de encontros presenciais, atividades de reconhecimento e novas articulações, a exemplo do II Encontro Nacional de Negras Feministas Jovens, previsto para setembro, em São Paulo.

As ativistas pontuaram ainda a necessidade de uma parceria horizontal entre o movimento de mulheres negras e a ONU Mulheres, com o objetivo de formação política das apoiadoras públicas e indicação de pautas importantes.

Segundo Nadine, este é o momento de as organizações traçarem um posicionamento para atuação conjunta, garantindo o cumprimento da Agenda 2030 e por um Planeta 50-50. “Nós contamos com as organizações de mulheres negras do país para traçar os rumos dessa estratégia. Somente vamos obter êxito se trabalharmos conjuntamente. Há muito o que ser feito, e a ONU Mulheres está disposta atuar como colaboradora desse processo”, declarou.

Mulheres Negras na Agenda 2030

Em atenção à situação das afro-brasileiras, a ONU Mulheres Brasil está desenvolvendo a estratégia de comunicação e ação política “Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030”, articulando a defesa pública de compromissos nacionais em favor do Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021, que adota como diretriz o enfrentamento ao racismo e a eliminação das desigualdades de gênero no país. A base desses objetivos é a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e a Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024).


Mais notícias de:

Comente

comentários